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O cearense Carlenilto Pereira Maltas, de 39 anos, é acusado pelo Ministério Público de matar "Gegê do Mangue" e "Paca", em 15 de fevereiro deste ano. (Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Com Carlenilto Pereira Maltas: "Decidi me esconder por medo de morrer também".

Em entrevista exclusiva, o empresário denunciado pelo duplo homicídio dos líderes do PCC, "Gegê do Mangue" e "Paca", conta como conheceu os outros acusados do crime e afirma que está à disposição da Justiça.

31/08/2018

Desde o dia 15 de fevereiro deste ano, data do assassinato dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) - Rogério Jeremias de Simone, o 'Gegê do Mangue', e Fabiano Alves de Souza, o 'Paca' - em Aquiraz, a presença de membros da cúpula da facção criminosa no Ceará é uma certeza. Após ser denunciado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) por duplo homicídio qualificado e sob acusação de integrar o PCC, Carlenilto Pereira Maltas, de 39 anos, procurou o Diário do Nordeste, por meio de advogados de defesa, para prestar sua versão acerca do caso.

Qual era sua relação com 'Gegê do Mangue' e 'Paca'?

Eu não tinha relação nenhuma. Eu sou um empresário. Morava há oito anos aí (no Ceará). Nunca tive relação. Nunca fui pego fazendo nada de errado. Só andava com empresários e deputados. Agora, nunca me chamaram para me escutar. Não devo nada para a Justiça.

Você não chegou a conhecer os líderes do PCC, mesmo sem saber que eles pertenciam a uma facção?

Eu não tinha contato nenhum. O Cidrão (José Cavalcante Cidrão, apontado como 'laranja' de 'Gegê' e 'Paca') era contador da minha empresa. Nunca foi um contato direto. Eu fico depressivo. Minha mulher fazia faculdade, meus filhos estudavam nos melhores colégios, eu trabalhava na minha produtora. Hoje eu não estou vivendo, estou vegetando.

A Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas) fala de participação direta sua no duplo homicídio. Você nega?

Como que eu vou me envolver em uma loucura dessa?! Nunca ia expor minha família. A Polícia bota todo mundo em risco. Eu ia ficar preso sem ter feito nada? Isso não é maneira da Justiça trabalhar, sem procurar saber a verdade.

No testemunho do Felipe (Ramos Morais), o piloto do helicóptero, ele o menciona. Você o conhece?

Ele envolveu meus advogados e é mentira. Tudo mentira! Se forem acreditar em um rapaz que é mentiroso, tem um monte de passagem (pela Polícia). Essa é a maior injustiça.

A respeito desses vários imóveis que você tem em Mombaça, é verdade?

É tudo invenção. Eu nem estou na lavagem de dinheiro. Falam tudo de mim e nessa denúncia do Ministério Público não me botam nisso?! Eles podem falar tudo isso e não dar nada (de punição) para eles. Minha mãe tem uma chácara que é dela há mais de 20 anos. Cadê esses imóveis? Não provam que isso é meu. Foi tudo de uma denúncia anônima, de alguém que não existe.

Como você chegou ao hangar de onde saiu o helicóptero com 'Gegê do Mangue' e 'Paca'?

Meu sócio me chamou porque o Wagner (Ferreira da Silva, o 'Cabelo Duro') era dono de produtora. Eu nem conhecia ele. Foi inocência minha. Fomos deixar o Wagner no hangar. O Felipe demorou a chegar. A gente já ia embora, tudo isso está nas imagens.

Você já tinha algum contato anterior com o Wagner, o 'Cabelo Duro'?

Não. Foi nesse dia que o Tiago (Lourenço de Sá, também acusado de participar do crime), meu sócio, passou e me chamou lá no escritório para me apresentar ao Wagner. Era um contato profissional. Eu vi ele pela primeira vez no hangar. O Tiago levou ele do hotel ao hangar. E conversamos sobre fazer parceria profissional.

No dia do hangar, você viu 'Gegê do Mangue' e 'Paca'?

Não. O Felipe demorou a chegar e o Wagner ficava ligando para ele. Pediu pra gente esperar e eu disse que tinha que ir embora pro escritório. Eu subi na aeronave e me deixaram na Praia do Futuro. Eles disseram que iam rumo a São Paulo.

Você subiu com quem nessa aeronave?

O Wagner me deu uma carona, foi coisa de cinco minutos, ele tinha pressa para ir a São Paulo. O piloto era o Felipe. Subiu eu, o Tiago e o Renato, que é amigo do Tiago. Aí tinham outros amigos do Wagner, que eu não conheço.

Quando saiu na imprensa as fotos do 'Gegê e Paca', você reconheceu eles?

Esses dois não estavam lá no hangar. Não eram eles. Lá na Praia do Futuro desceu eu e o Tiago. Depois disso, que começaram a jurar todo mundo, não nos falamos mais.

Então foi com a repercussão nacional que você soube que esteve tão próximo de integrantes do PCC?

Isso. Foi depois. Eu não sou de facção. Tudo que o delegado falou de mim ficou como mentira dele, porque nem na denúncia colocaram.

Mesmo não tendo nada a ver com o PCC, você decidiu fugir?

Decidi me esconder por medo de morrer também. Expuseram minha família, minha mãe, todos. A gente corre risco de vida. Não é brincadeira uma situação dessa.

Como você soube que o Wagner foi morto?

Eu soube pelos noticiários. Estava no trabalho. Me apavorei, mas continuei trabalhando.

Quanto tempo após o duplo homicídio você ficou em Fortaleza?

Ainda fiquei muitos dias. Fiquei trabalhando. Só saí depois da reportagem mostrar o hangar. Foram na minha portaria e fiquei com medo.

Você nunca foi chamado para depor?

Nunca. Eu não entendo porque eu nunca fui intimado. Eu estou à disposição da Justiça para esclarecer. Eu não devo nada. Só não apareci até agora porque não vou para ser preso. Você sabe que, dependendo do lugar que eu caia, eu vou morrer. Vou pagar pelo que não fiz?



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