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Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, disse, em Maceió, que hoje deve ter novidades sobre mudanças na candidatura do PT ao Palácio do Planalto. (Foto: AFP)

Sucessão Presidencial: Lula e Haddad definem futuro do PT na disputa.

Depois de candidatura barrada, ex-presidente receberá na carceragem da PF virtual substituto em cabeça de chapa.

03/09/2018

Rio de Janeiro. Após ter sua candidatura barrada pela Justiça Eleitoral, Lula recebe hoje, na carceragem da Polícia Federal em Curitiba (PR), o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, vice na chapa. O PT avalia recorrer ao Supremo Tribunal Federal e deixar com o ex-presidente a palavra final sobre sua substituição por Haddad.

"Se houver novidades (sobre mudanças na candidatura), será amanhã", disse Haddad. "O PT jamais abandonará Lula!", tuitou a presidente do PT, Gleisi Hoffman. Na próxima segunda (10), um dia antes do limite para a troca, o PT fará um evento em São Paulo com o mote "a arrancada para a vitória", com a presença de Haddad.

"O maior prejudicado por essa estratégia é o próprio partido. Não entendo o motivo de insistir nessa estratégia de candidatura do ex-presidente, em vez de procurar outra pessoa", disse o professor de direito da Fundação Getúlio Vargas Ivar Hartmann.

O TSE proibiu atos de campanha por Lula, ordenou a retirada de seu nome das urnas. Mas no horário eleitoral do fim de semana, o partido insistiu em sua imagem. "Essa é a proposta do PT desde o início: estender ao máximo a agonia do Lula, na possibilidade de que ocorra um milagre. Ou que esse drama fortaleça a campanha do Haddad", estimou o cientista político Murillo de Aragão. "A transferência de votos (de Lula para Haddad) é muito pequena. Se a substituição não acontecer em 10 ou 15 dias, pode ser que não ocorra", disse.

Ao menos seis ações foram protocoladas em tribunais eleitorais contra propagandas do PT nas eleições depois de a legenda insistir em manter Lula como protagonista das inserções apesar de barrado pelo TSE.

Sombra

"O problema da candidatura de Haddad é claramente que ele não é conhecido além do estado de São Paulo", assinalou o analista político da FGV Eduardo Grin.

O ex-prefeito de São Paulo, 55, foi Ministro da Educação durante os governos de Lula e Dilma. Sua trajetória o colocou no coração da máquina do PT, sem ele nunca sair, porém, da sombra de seu mentor. "Insistir na candidatura de Lula prejudica Haddad, prejudica a imagem do partido diante do eleitor, porque parece que não há outras pessoas competentes dentro do partido", advertiu Hartmann.

Preparadora

A campanha do PT contratou a jornalista Olga Curado, preparadora de candidatos famosa por misturar princípios de aikido, da teoria psicológica Gestalt, do budismo e da meditação, para ajudar Haddad.

Entre petistas, há o entendimento de que o ex-prefeito tem dificuldade para se libertar de seu jeito acadêmico.

A jornalista vai auxiliar Haddad na preparação para debates e entrevistas e também a melhorar o seu discurso. Em 2006, a preparadora deu uma chave de braço e tentou enforcar o ex-presidente Lula no treino para um debate e também trabalhou com Dilma em 2010.



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