Carregando...

Publicidade

Instituição não teve investimentos feitos em manutenção ou em segurança neste ano. (Foto: Folhapress)

O Dia Seguinte ao Desastre: Destruição do Museu Nacional causa tristeza e revolta no País.

Incêndio abriu debate sobre cortes de verba para preservação da memória; governo tenta dar resposta ao sinistro.

04/09/2018

Rio de Janeiro. O incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro destruiu a memória de uma cidade que foi capital do Império e colocou em primeiro plano o debate sobre os cortes orçamentários que ameaçam a preservação de um patrimônio multissecular. "Só chorar não adianta, é necessário que o governo federal, que tem recursos, ajude o museu a recompor sua história", afirmou, ontem, em frente ao prédio destruído, o diretor da instituição bicentenária, Alexandre Keller.

"Clamamos por ajuda. Queremos que as pessoas fiquem indignadas pelo que aconteceu aqui. Parte dessa tragédia poderia ser evitada. Não adianta só chorar. Agora temos que agir", insistiu.

Milhares de manifestantes lotaram a Cinelândia, no centro do Rio, na noite de ontem, em protesto contra a falta de recursos para o Museu Nacional. O Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro estimou que 25 mil foram ao ato.

O governo de Michel Temer, questionado pelos cortes no orçamento, anunciou a criação de uma "rede de apoio econômico" com grandes empresas públicas e privadas para facilitar a reconstrução desta joia da cultura brasileira, mas não detalhou os recursos previstos. A instituição, vinculada à UFRJ, sofria com cortes de verbas que a obrigaram a fechar vários espaços ao público.

O museu deveria receber um patrocínio de R$ 21,7 milhões do BNDES após um acordo firmado em junho passado. A vice-diretora do museu, Cristiana Serejo, explicou que por trás da tragédia estão "a falta de dinheiro e uma burocracia muito grande".

Protestos

Em um protesto na Cinelândia, a tristeza se misturava com a raiva pela destruição do museu.

"Ele tinha muitas peças importantes. Agora, também teremos nossa memória apagada", disse Natacha, uma estudante de museologia. "Foi um incêndio causado por anos de falta de atenção do governo. Nosso programa de antropologia sofreu cortes absurdos nos últimos dois anos", disse Caio, aluno de antropologia do Museu Nacional.

O Museu Nacional era o maior museu de história natural e antropológico da América Latina, com mais de 20 milhões de peças e uma biblioteca com mais de 530 mil obras.

Na parte da tarde, cerca de 500 pessoas estavam reunidas em frente ao jardim que dá acesso ao edifício, protegido por um cordão de isolamento, para protestar contra os cortes que atrasaram a modernização do recinto.

Os manifestantes, entre eles pesquisadores e estudantes, encenaram um "abraço" ao edifício de mais de 13.000 metros quadrados, localizado na Quinta da Boa Vista, na zona norte do Rio.


Rescaldo das chamas deve durar mais 2 dias, segundo Bombeiros; houve protestos contra o abandono do Museu; o crânio de Luzia, o mais antigo do continente, sumiu. (Foto: AFP, Reprodução de TV e Folhapress)

Colapso descartado

Equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil começaram a entrar, com prudência, no edifício, para verificar se ainda há alguma coisa que possa ser salva. A operação é perigosa, em razão do risco de desabamento.

"A fachada é bem resistente, mas muita coisa caiu do teto", afirmou o porta-voz. Luis André Moreira, coordenador técnico da Defesa Civil, descartou o risco iminente de "colapso estrutural" da fachada. Foram necessárias seis horas para que os bombeiros mobilizados controlassem o incêndio. Criado em 1818 por Dom João VI e instalado desde 1892 no antigo palácio imperial de São Cristóvão, o museu também abriga um excepcional jardim botânico de 40 hectares.

Reconstrução

"Sobrou talvez uns 10%", estimou a vice-diretora do Museu Nacional, Cristiana Serejo. Segundo ela, só a reconstrução do prédio custará R$ 15 milhões.

"A gente estava preocupado com incêndios. Tivemos problemas de falta de verba e burocrática", lamentou. "A culpa é de todos. A gente fica com muita raiva". A Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil do Rio mantém interditada a construção, por considerar que existe grande risco de desabamento interno. Podem desabar trechos remanescentes de lajes, parte do telhado e paredes divisórias.


(Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)


Total de acessos: 239364

Visitantes online: 1