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(Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Datafolha: Bolsonaro segue líder; Ciro e Haddad têm maior evolução.

Mesmo após atentado, candidato do PSL só oscilou dentro da margem de erro e viu taxa de rejeição crescer.

11/09/2018

São Paulo. Depois de sofrer um atentado na última quinta-feira (6) e ainda estar em estado grave, o candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, oscilou dois pontos percentuais, de 22% para 24%, em pesquisa Datafolha/TV Globo divulgada ontem. A disputa pelo segundo lugar ficou ainda mais acirrada, com um empate técnico entre Ciro Gomes (PDT), com 13%; Marina Silva (Rede), com 11%; Geraldo Alckmin (PSDB), com 10%; e Fernando Haddad (PT), com 9%. O pedetista e o petista foram os nomes que tiveram o maior crescimento em relação ao levantamento anterior.

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Esse é o primeiro levantamento deste instituto após o início da propaganda de rádio e TV, há nove dias, e já registra, no eleitorado, os efeitos do atentado a faca contra Bolsonaro em Juiz de Fora (MG).

Rejeição

Bolsonaro continua com a maior rejeição, com 43%. Na pesquisa anterior, ele tinha 39%. A resistência é maior entre as mulheres (49%), entre os mais jovens (55%), entre eleitores com curso superior (48%) e no Nordeste (51%). Em segundo lugar está Marina, com 29% de rejeição.

No fim de agosto ela tinha 25%. Em seguida está Alckmin, com 24%, e Haddad, com 22%. Ciro é rejeitado por 20%.

Nos cenários testados de segundo turno, Bolsonaro perde para Ciro, Alckmin e Marina. E empata com Haddad, dentro da margem de erro. A maior vantagem é a de Ciro, que derrotaria o ex-capitão por 45% a 35%.

A diferença de Alckmin em relação a Bolsonaro é de nove pontos percentuais e de Marina, seis. Já em uma disputa contra Haddad, o petista teria 39% e Bolsonaro, 38%.

Queda

A maior queda em relação à pesquisa anterior, divulgada em 22 de agosto, foi de Marina, que foi de 16% para 11%. Haddad, por sua vez, cresceu na mesma proporção, indo de 4% para 9%. Ele ainda não foi oficializado pelo PT como substituto do ex-presidente Lula, cuja candidatura foi recusada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Embora os quatro estejam tecnicamente empatados, Ciro Gomes está numericamente à frente, com 13%. Ele tinha 10% no levantamento anterior. Já Alckmin oscilou de 9% para 10%. O tucano tem o maior tempo de propaganda, mais do que o dobro do PT, que possui o segundo maior tempo de rádio e TV.

Votos brancos e nulos caíram sete pontos percentuais, para 15%. Já os indecisos oscilaram de 6% para 7%. Foram entrevistadas 2.820 pessoas, ontem, em 197 municípios.

Análises

Com Bolsonaro apenas oscilando dentro da margem de erro e enfrentando até um aumento da taxa de rejeição, mesmo depois do ataque sofrido em Juiz de Fora, analistas ouvidos pela reportagem observaram com cautela o resultado da pesquisa.

"Os outros candidatos vão precisar, de alguma forma, tentar voltar a atacá-lo, dizendo que ele não é só vítima de um maluco, mas de algo que ele, de certa maneira, cultua, que é a violência", disse o professor de ciência política da Universidade de São Paulo (USP), Humberto Dantas.

Já Carlos Melo, do Insper, acredita que "a solidariedade se confunde com apoio em um primeiro momento, mas depois tende a uma retração".

"Talvez tenha ocorrido frustração entre os eleitores de Bolsonaro", avaliou o analista político Michael Mohallem, da FGV. Sobre a rejeição crescente a Bolsonaro, Mohallem citou: "A única razão que vejo para o aumento da rejeição é a superexposição (que causou o ataque a faca)".

Como muitos analistas, Mohallem acreditou que Bolsonaro seria beneficiado "pela simpatia que as pessoas sentem naturalmente com alguém que é vítima, que está vulnerável, no hospital, mas, aparentemente, isto não foi tão significativo".

O cessar-fogo foi logo rompido, ontem. Enquanto Ciro disse, em comício, que Bolsonaro "representa um risco muito grave para a nação", Henrique Meirelles (MDB) afirmou que o militar "vai ter que aprender a respeitar mulher, sim".

Já a queda de Marina já era esperada, disse a coordenação da campanha. As razões, na avaliação dos auxiliares, envolvem a pequena estrutura partidária da Rede e a ausência de palanques fortes nos estados -aspecto em que Ciro tem vantagem. Além de não ter governadores e candidatos aliados, Marina sofre com o baixo tempo de TV. Haddad, ao contrário, vem aparecendo na propaganda eleitoral.



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