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Pendências com bancos e cartões representam 27,8% das dívidas. (Foto: Fernanda Siebra)

Crescimento de 7,31%: Ceará tem 352 mil idosos inadimplentes; 3º do NE.

Entre julho de 2017 e igual mês deste ano, houve um incremento de 24 mil pessoas nessa situação.

12/09/2018

O Ceará registrou aumento de 24 mil idosos inadimplentes entre julho de 2017 e igual período deste ano. O número passou de 328 mil para 352 mil inadimplentes em um ano, uma alta de 7,31%, segundo estudo divulgado, ontem, pela Serasa Experian. A entidade, contudo, não possui dados da dívida total dos cearenses desta faixa etária e nem o valor médio das contas. Porém, as informações revelam um comportamento de inadimplência entre os idosos diferente do padrão de dívidas em atraso que prevalece entre os adultos mais jovens no País.

No Nordeste, a Bahia lidera o número de idosos inadimplentes, com cerca de 686,4 mil pessoas acima de 61 anos. Em seguida, aparecem: Pernambuco (501,6 mil), Ceará (352 mil), Maranhão (281,6 mil), Alagoas e Paraíba (158,4 mil), Rio Grande do Norte (149,6 mil), Piauí (140,8 mil) e Sergipe (88 mil).

Contas básicas em atraso

Os compromissos que os brasileiros acima de 61 anos mais deixaram de pagar são as contas básicas de água e energia (34,30%), sendo que esse débito no índice geral da população corresponde a 19,40% do total, uma diferença de 14,9 pontos percentuais.

Na sequência da composição dos orçamentos dos idosos que operavam no vermelho, no sétimo mês deste ano, aparecem as pendências com bancos e cartões (27,80%), telefonia (10,70%), financeiras e leasing (9%), varejo (7,40%) e serviços (6%). Já o perfil médio dos inadimplentes no Brasil aponta que a maior parte das dívidas em aberto se concentram junto a bancos e cartões (28,50%) e na continuidade figuram as contas básicas (19,40%), varejo (12,60%), telefonia (11,60%), serviços (10,40%) e financeiras e leasing (10%).

Maior expansão

O sétimo mês de 2018 contabilizou 8,8 milhões de idosos em todo o País que deixaram de pagar em dia seus compromissos - um aumento de 10% em relação ao apurado no período correspondente do ano passado (8 milhões). O valor do montante de contas em atraso entres os inadimplentes na faixa etária acima de 61 anos também subiu, e atingiu R$ 41,1 bilhões. Isso resulta em uma dívida média de R$ 4.668 por idoso.


(Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Apesar de não ser a mais elevada entre as faixas etárias, a inadimplência entre os idosos foi a que mais cresceu nos últimos dois anos. Do total de pessoas no País com mais de 61 anos, 35,1% delas estavam com o orçamento no vermelho em julho de 2018 - uma evolução de 2,6 pontos percentuais frente ao resultado de julho/2016.

Avaliação

De acordo com os economistas da Serasa Experian, o comportamento que predomina entre os idosos na hora de buscar crédito e a consequente condição de inadimplência observada entre esse segmento da população refletem o impacto da crise econômica no bolso do brasileiro. Diante da reversão da recessão em ritmo mais lento do que o esperado, um número maior de aposentados ou pensionistas com mais de 61 anos passou a ajudar o orçamento de suas famílias, ao usar empréstimos consignados.

A consequente redução da renda, comprometida com esse tipo de dívida, leva o idoso a abrir mão da regularidade no pagamento de outras despesas fixas do mês.

Entre os estados brasileiros, São Paulo (21,4%), Rio de Janeiro (12,2%) e Minas Gerais (9,9%) permaneceram, em julho de 2018, nas três primeiras posições do levantamento estadual, com as maiores participações no número de idosos inadimplentes no País.

Opinião

Falta de apoio da família amplia fragilidade
Socorro França - Presidente da União dos Aposentados do Brasil

O primeiro fator que leva o idoso a esses casos de inadimplência e dívidas é a família, que não ajuda. Tomam do idoso o quanto podem. Sacam dinheiro das finanças dele. O idoso em si, muitas vezes, nem pode fazer nada. A família acha que pode mandar em tudo. A falta de apoio da família é o primeiro fator. Em seguida vem a desinformação. Muitas vezes, fazem empréstimos indevidos e o idoso nem sabe. Temos um caso recente de um idoso que foi em um banco e acabou sendo ludibriado a fazer um empréstimo de R$ 8mil. Nós, da União dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (Unapeb), interviemos.



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