Carregando...

Publicidade

Tiago Cedraz é suspeito de envolvimento em desvios de recursos de conta do Ministério do Trabalho; defesa do seu escritório nega irregularidades. (Foto: ABR)

4ª Fase da Operação: "Registro Espúrio" mira filho de ministro do TCU.

Investigação conduzida pela Polícia Federal fez buscas em endereços ligados a Tiago Cedraz e prendeu seu sócio.

19/09/2018

São Paulo. Na 4ª fase da Operação Registro Espúrio, a Polícia Federal pediu a prisão do advogado Tiago Cedraz, filho do ministro do Tribunal de Contas da União Aroldo Cedraz. O pedido foi endossado pela Procuradoria-Geral da República (PRG), mas foi rejeitado pelo ministro Edson Fachin, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

No restante da ação, autorizada por Fachin, a polícia prendeu, ontem, sete dos nove investigados que tiveram prisão temporária decretada pelo ministro. Entre os presos está o advogado Bruno de Carvalho Galiano, sócio de Tiago Cedraz.

A polícia fez ainda buscas em 16 endereços dos acusados, entre eles o escritório do filho do ministro. Tiago e Galiano são suspeitos de envolvimento em desvios de dinheiro da Conta Especial Emprego e Salário, do Ministério do Trabalho, abastecida com contribuições sindicais.

Tiago e Galiano teriam se associado ao núcleo central do grupo acusado, desde a primeira fase da Registro Espúrio, de facilitar o registro de sindicatos no Ministério do Trabalho, a depender do interesse financeiro ou político da organização.

Tiago seria ligado ao deputado Paulinho da Força (SD-SP), já investigado na operação. Para a polícia, os dois advogados teriam incorrido em corrupção e peculato. "Parte dos valores descontados dos trabalhadores era apropriada pelos integrantes da organização, que burlavam a pirâmide do sistema sindical brasileiro. Para viabilizar os repasses, o grupo registrava confederações de sindicatos de um estado em outro".

No começo deste mês, Fachin determinou a abertura de inquérito para investigar o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, e sua chefe de gabinete, Vivianne Lorenna Vieira, por suspeita de corrupção e associação criminosa no âmbito da Operação Registro Espúrio. Marun nega ter recebido qualquer vantagem, devida ou indevida.

O ministro do STF também mandou instaurar outros dois inquéritos: um envolvendo os senadores Cidinho Santos (PR-MT) e Dalírio Beber (PSDB-SC) e outro envolvendo os deputados federais Wilson Santiago Filho (MDB-PB), Jovair Arantes (PTB-GO), Nelson Marquezelli (PTB-SP), Cristiane Brasil (PTB-RJ) e Paulinho da Força.

Defesa

Em nota, o escritório Cedraz Advogados nega que tenha ocorrido conduta ilícita por parte do advogado Bruno Galiano e diz esperar que "prevaleça a lei acima de qualquer perseguição".

"O escritório Cedraz Advogados externa sua profunda indignação com os abusos cometidos na data de hoje. Não existe qualquer imputação de conduta ilícita ao advogado Bruno Galiano, nenhuma oferta de vantagem nem valores, o qual apenas realizava a sua atuação profissional com a garra e o empenho que lhe são característicos", citou a nota.

Segundo a defesa de Cedraz, "as reuniões sobre o assunto defendido pelo escritório se deram com a transparência e formalidade necessárias sempre na presença do MPT, AGU, Caixa e MTB. Estes mesmos órgãos reconhecem no relatório final produzido a ocorrência do prejuízo aos clientes do escritório".



Total de acessos: 239694

Visitantes online: 2