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Com o ritmo ainda fraco da economia, o Banco Central (BC) optou por manter a política de manutenção adotada em maio, após encerrar ciclo de cortes. (Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Pela 4ª Vez: BC mantém taxa básica de juros em 6,5% ao ano.

Estabilidade era a aposta de quase a totalidade dos analistas do mercado, baseados na inflação controlada.

20/09/2018

São Paulo. Sem surpresas, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter, nessa quarta-feira (19), a taxa básica de juros da economia na mínima histórica de 6,5% ao ano.

A estabilidade da Selic era a aposta de 37 dos 38 analistas consultados pela reportagem. Essa é a quarta manutenção seguida da taxa, após o Banco Central encerrar em maio o ciclo de cortes. As incertezas políticas no período pré-eleitoral fizeram o dólar disparar quase 10% ante o real desde a última reunião do Copom, em 1º de agosto, levantando receios sobre pressão inflacionária. O ritmo ainda fraco da economia, no entanto, é apontado por especialistas como justificativa para a manutenção dos juros em níveis baixos.

Luis Afonso Lima, economista chefe da Mapfre Investimentos, define a situação da autoridade monetária como ingrata.

De um lado, diz, a atividade econômica está fraquíssima. Ele cita dados do IBGE sobre os setores em julho, que apontaram queda de 2,2% no volume de serviços, na comparação com junho, retração de 0,5% no comércio varejista e recuou de 0,2% na produção industrial. "Se olhar para frente, condicionantes como mercados de trabalho e de crédito e confiança também são ruins", completa. A taxa de desemprego ficou de 12,3% no trimestre encerrado em julho.

Inflação

Diante da falta de ânimo para gastar dos brasileiros, o IPCA, que mede a inflação oficial do País, recuou 0,09% em agosto, a menor taxa para o oitavo mês do ano desde 1998.

Em 12 meses, a inflação medida pelo IPCA é de 4,19%. O centro da meta estabelecido pelo Banco Central para o ano de 2018 é 4,5%. "A inflação do Brasil vem sob controle e isso já considerando os efeitos da greve de caminheiros", afirma André Diz, professor de macroeconomia do Ibmec/SP.

Por outro lado, Lima ressalta que a forte depreciação do real nas últimas semanas gera algum receio com a inflação. "Num primeiro momento, não é ainda uma preocupação latente, mas sabemos que ela pode aumentar ao longo do tempo", afirma.

Uma conta comum entre economistas é que uma depreciação cambial de 10% elevaria em cerca de 0,5 ponto percentual a inflação. O "contágio" pode afetar sobretudo itens como combustíveis e energia. Economistas ponderam que, com a economia em ritmo lento, esse repasse da taxa de câmbio para índices de preços tem se mostrado limitado, já que muitas empresas preferem reduzir margem do que passar custos para o preço final.

"Os modelos dão um choque no câmbio e avaliam como isso impactaria preço. Esse efeito costuma chegar à economia em seis a nove meses, mas como a atividade está muito fraca, a capacidade de repasse de preços é menor", explica André Diz.

Para o Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da Anbima (associação das entidades de mercado), os efeitos da desvalorização do real na inflação ainda não podem ser completamente mensurados, seja pelas dúvidas quanto à persistência do atual patamar do câmbio, seja pelas incertezas quanto às defasagens do repasse aos preços.

Perspectiva

A despeito de esses efeitos serem limitados pelo grau de ociosidade da economia, o Comitê avalia como provável que a trajetória do câmbio eleve as expectativas de inflação. Na última pesquisa Focus do Banco Central com economistas, divulgada na segunda-feira (17), as previsões para o IPCA no fim do ano subiram de 4,05% para 4,09%.

Opinião do especialista
'Não havia razão para ser feita uma alteração'

Henrique Marinho - Economista

O mercado todo esperava essa manutenção da Selic, pois o que faz o Copom alterar a taxa, a despeito da crise política e das dificuldades, é a inflação. Como a meta da inflação para esse ano é 4,5% e a expectativa é que termine o ano próximo a 4%, apesar de haver muitos aumentos como na gasolina, a inflação como um todo deverá ficar abaixo da meta, então não havia razão para o Copom fazer alteração. Apesar de dizer no comunicado que está avaliando o cenário externo, o que significa essa briga de EUA e China, além do cenário interno, pois estamos vivendo baixíssimo crescimento econômico. Então, não há pressão para a inflação.



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