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Ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, evitou revelar as identidades das candidaturas ligadas aos grupos criminosos citados em investigação. (Foto: AGBR)

Investigação: Há candidatos de facções no pleito, admite ministro.

Raul Jungmann garantiu que o governo vai tentar impedir que nomes patrocinados pelo crime organizado se elejam.

27/09/2018

Brasília. O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou, ontem, que investigações apontam para a participação de facções nas eleições em 2018, assim como ocorreram em outros pleitos. Ele declarou que representantes do crime organizado não podem fazer parte do Parlamento, e que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está atento a essas facções:

"Nós identificamos não só nessa, mas em eleições passadas a presença de facções. E o que nós estamos fazendo é um criar uma grade e um filtro para tentar evitar que ele (o candidato) chegue a se eleger. Se eleito vamos levar ao TSE as nossas informações para que o tribunal tome as providências necessárias".

O chefe da Segurança Pública espera que, em caso de eleição de candidato ligado a alguma facção criminosa, ele seja cassado. O ministro não deu detalhes sobre quem seriam esses candidatos ou por qual partido disputam as eleições. "Nós esperamos que seja feita exatamente a cassação desse representante do crime organizado, por que não se pode admitir que representantes do crime venham fazer parte do Parlamento, seja ele qual for, federal, estadual ou municipal. É isso que nós estamos fazendo em conjunto com as demais forças de seguranças estaduais e federais e com o próprio Tribunal Superior Eleitoral", disse.

Um ato conjunto assinado no início do mês criou um grupo de trabalho (Coalizão) para acelerar as ações legais contra a posse de candidatos eleitos com a ajuda do crime no Rio de Janeiro. O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), desembargador Carlos Eduardo da Fonseca Passos, afirmou que as medidas da Coalizão, que envolvem o tribunal, são para permitir que a vontade do eleitor prevaleça. Uma equipe de 300 homens de várias corporações recebeu treinamento específico para ações na campanha deste ano.

Cerca de 1,7 milhão de eleitores vivem em áreas dominadas por facções criminosas. O general Nunes tem reafirmado que o grande desafio desta eleição é coibir o financiamento de campanhas por organizações criminosas que possam influenciar no processo eleitoral.

Operação

O Ministério da Segurança Pública deflagrou, ontem, uma operação em 25 estados e no Distrito Federal para cumprir mandados de prisão contra autores de crimes de latrocínio e roubo. Participam da ação 3.745 policiais civis. A operação vai até amanhã.

O balanço do ministério indica que apenas na manhã de ontem foram cumpridos 155 mandados de busca e apreensão. Também houveram 116 prisões por roubo; três prisões por latrocínio; 154 prisões por mandado que incluem outros crimes e 60 prisões por flagrante. Ocorreram também quatro apreensões de roubos, duas apreensões por latrocínio; 53 apreensões por mandado de outros crimes e duas apreensões por flagrante. Em relação às drogas, foram apreendidas mais de uma tonelada de maconha; cerca de 4 kg de cocaína; 55 gramas de crack e 33 mil comprimidos de ecstasy no estado do Goiás. Até o momento, seis veículos foram recuperados e 31 armas apreendidas.

Fronteiras

Para o presidente o presidente do Conselho Nacional de Policiais Civis e coordenador da operação, Emerson Wendt, existe uma expansão do crime organizado para além das fronteiras nacionais. "Não existe mais na lógica do roubo, não existe mais divisas entre estados e fronteiras entre países. Já identificamos lá no estado do rio Grande do Sul grupos organizados que fazem assaltos também no Uruguai e na Argentina. Nós temos diferenças entre os estados, entre as polícias e nós precisamos diminuir isso para que a gente tenha um resultado padronizado e atuante das polícias civis".



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