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Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) se apresentam como candidatos com discursos ideológicos opostos, despertando paixões tão intensas quanto expressões de ódio, o que está acirrando a disputa pelo Planalto. (Foto: AFP)

Corrida Presidencial: Brasil está a 6 dias da eleição, dividido entre dois extremos.

No próximo domingo, primeiro turno pode resultar em um embate entre forças antipetistas e antibolsonaristas.

01/10/2018

Os brasileiros, mais divididos do que nunca, comparecerão às urnas no próximo domingo para o primeiro turno da eleição presidencial, com a possibilidade de levar ao poder um defensor da ditadura militar, menos de quatro décadas após o retorno da democracia. O deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), ex-capitão do Exército, 63 anos, lidera com 28% das intenções de voto, segundo uma sondagem publicada ontem pelo instituto MDA.

Com sua proposta de flexibilizar o porte de armas e suas denúncias contra a corrupção, Bolsonaro encontrou um sólido apoio eleitoral em uma população saturada pela crise, os escândalos e índices de criminalidade dignos de um país em guerra.

Em segundo lugar, com 25%, aparece Fernando Haddad, 55 anos, designado pelo PT em substituição ao ex-presidente Lula, que cumpre pena de 12 anos e um mês de prisão por corrupção.

Na pesquisa MDA, que tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais, Bolsonaro e Haddad aparecem pela primeira vez em uma situação de virtual empate técnico.

Se o cenário for confirmado, Bolsonaro e Haddad disputam o segundo turno no dia 28 de outubro. Haddad conseguiu uma ascensão fulgurante, pois sua candidatura foi oficializada só em 11 de setembro, após a candidatura de Lula ser impedida.

Sua campanha se baseia na ideia de que "Haddad é Lula" e recorda que durante a presidência de seu mentor (2003-2010) 30 milhões de pessoas saíram da pobreza, graças aos programas sociais e ao bom momento da economia, dinamizada pelos altos preços dos produtos agrícolas. Mas Haddad precisa lidar com a recordação da queda de Dilma Rousseff (2011-2016) - que também foi candidata por escolha de Lula-, afastada pelo Congresso em um processo de impeachment motivado pela acusação de manipulação das contas públicas. Também enfrenta a indignação provocada pelas revelações de propinas pagas por grandes empreiteiras a quase todos os partidos para obter contratos da Petrobras.

Bolsonaro consolidou sua liderança nas pesquisas depois de ter recebido uma facada durante um evento de campanha, no dia 6 de setembro. Mas o candidato de extrema-direita, do PSL, gera uma forte rejeição por suas declarações misóginas, homofóbicas e racistas, assim como por justificar a tortura durante o regime militar (1964-85). No sábado, dezenas de milhares se mobilizaram em todo o País contra Bolsonaro, aos gritos de "Ele não".

A eleição do ódio

O apoio aos outros candidatos - como Ciro Gomes, Geraldo Alckmin e Marina Silva- nunca decolou realmente ou derreteu nas últimas semanas entre os mais de 147 milhões de eleitores.

Desta maneira se perfila um duelo entre as duas candidaturas com maior apoio e, ao mesmo tempo, as mais criticadas: Bolsonaro, com índice de rejeição de 46%, e Haddad, que também "herdou" de Lula uma rejeição de 32%, segundo Datafolha.

"Talvez seja algo inédito na história do Brasil o processo de intolerância e de ódio que está atravessando a sociedade", afirma a historiadora Heloísa Starling, coautora do livro "Brasil: Uma Biografia".

Bolsonaro já avisou na sexta: "Não aceito outro resultado que não seja minha eleição". O ex-capitão tem um forte apoio entre os militares. "Esta é uma sociedade de raiz escravista, uma sociedade hierárquica, uma sociedade que se sente ameaçada por qualquer tentativa de distribuição de renda", explica Starling.



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