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(Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Reta Final: Ciro e Alckmin ampliam críticas contra líderes.

Com Jair Bolsonaro e Fernando Haddad se consolidando, tucano e pedetista buscam furar polarização por 2º turno.

02/10/2018

Com a proximidade do primeiro turno - que ocorre no próximo domingo (7) - e uma situação que se encaminha para definição ainda na primeira etapa do pleito no Ceará, as atenções se voltam para a eleição presidencial. Nela, candidatos ao Palácio do Planalto tentam furar a polarização entre os líderes nas pesquisas, Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). É o que têm feito Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB), que, em terceiro e quarto lugar, fazem dos líderes os alvos preferenciais na reta final da campanha.

Na última sexta-feira (28), em entrevista a uma rádio gaúcha, Ciro Gomes chamou o PT de "organização odienta de poder", afirmando que preferiria governar sem o partido. Já em debate televisivo no domingo (30), atacou o petista por ter, segundo ele, se aliado ao presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB), o que Haddad nega.

Anteriormente, Ciro reservava somente elogios ao adversário. "Haddad representa o que há de melhor no PT e não carrega o estigma que é, em parte, injusto", declarou em entrevista no ano passado ao "El País". À época, quando era ventilada a possibilidade de aliança com o PT, afirmou que chapa formada por ele e o ex-prefeito de São Paulo seria o "dream team".

Resultado

Bolsonaro também não é poupado. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Ciro criticou fala do candidato - da qual este já recuou -, que disse que não aceitará eventual derrota. "Um candidato que dá uma declaração como essa está dizendo claramente ao País que vai tentar dar um golpe na nossa democracia", declarou o pedetista. No fim do vídeo, ele adota o slogan "nem 'A' e nem 'B'. É 'C' de Ciro".

Geraldo Alckmin (PSDB) também tenta furar a polarização. Principal prejudicado pela ascensão de Bolsonaro, o tucano apela aos antipetistas com a alta rejeição do militar. "Votou Bolsonaro, elegeu o PT. Se você não quer que o PT volte, vote 45 e vá de Geraldo", afirma em uma de suas inserções para TV e redes sociais.

Alckmin também tem tentado associar Bolsonaro a pautas da esquerda e do próprio PT, como a proposta feita pelo guru econômico do presidenciável, Paulo Guedes, de criação de um imposto aos moldes da antiga CPMF, já defendida pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT), além de uma entrevista de Bolsonaro na qual ele mostra admiração por Hugo Chávez. "Se você não quer que o PT volte, volte você para o 45", diz o programa eleitoral do tucano.

Para Maurício Fronzaglia, cientista político da Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP), a estratégia é válida, mas pode ter dois gumes. "Ele pode acontecer em duas direções, com votos indo para o Alckmin, mas também no movimento contrário, com antipetistas desidratando Alckmin, (João) Amoêdo (NOVO), Álvaro Dias (PODE) e aumentando os votos de Bolsonaro", declara, deixando claro que nada indica que isso seria suficiente para uma vitória em primeiro turno. Ciro correria o mesmo risco.

Convicção

Segundo o pesquisador, eleitores que estariam votando em Ciro não por convicção, mas por suas chances de derrotar Bolsonaro, podem abandoná-lo por seus candidatos de convicção, ou mesmo em favor de Haddad.

Já Fernanda Afonso, cientista política do Centro Universitário UniFanor, vê os votos de Haddad e Bolsonaro como consolidados, o que deixa os outros candidatos com pouca margem. "Eles só contam com uma bala na agulha. Apresentar-se como um candidato competente, de passado limpo, confiável, nesta resta final, não renderá votos suficientes para que qualquer um deles consiga superar Bolsonaro ou Haddad", avalia.

Subindo o tom

4 de agosto

Em post nas redes sociais, Ciro Gomes critica a indicação do ex-presidente Lula como candidato, mesmo estando preso: "essa viagem lisérgica tem data para acabar".

30 de agosto

Logo em seu primeiro vídeo, Alckmin faz críticas veladas a Bolsonaro em propaganda que termina com a frase "não é na bala que se resolve". No mesmo dia, em entrevista ao site "The Intercept", Ciro declara que, caso eleito, Haddad será tutelado por Lula. "Se isso der certo, não dá certo. Sabe por quê? Porque são presidentes desse tamaninho...".

11 de setembro

Em sabatina, o candidato tucano declarou que Bolsonaro é um "passaporte para a volta do PT".



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