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Desde que sofreu um atentado no começo do mês em Juiz de Fora (MG), Jair Bolsonaro (PSL) registrou uma disparada de suas intenções de voto. (Foto: AFP)

Corrida Presidencial: Bolsonaro crava 13 pontos de vantagem.

Candidato do PSL atinge a marca de 35% na nova pesquisa do Datafolha e amplia a distância em relação a Haddad.

05/10/2018

Rio de Janeiro. O candidato do PSL à Presidência Jair Bolsonaro aumentou a vantagem em relação a Fernando Haddad (PT) e tem agora 35% das intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha, divulgada ontem.

Na sondagem anterior, de terça-feira, ele tinha 32%. Haddad oscilou de 21% para 22%. Agora, a distância entre os dois é de 13 pontos, a maior desde que a candidatura do petista foi oficializada, em meados de setembro.

Ciro Gomes (PDT) aparece em terceiro lugar, com 11%, enquanto Geraldo Alckmin (PSDB) tem 8%. Os números foram divulgados a três dias das eleições e antes do último debate entre presidenciáveis do 1º turno, ontem à noite, na TV Globo.

A vantagem de Bolsonaro em relação a Haddad chegou a ser de apenas 6 pontos, na última pesquisa do mês passado. Na ocasião, o capitão reformado tinha 28% das intenções de voto, contra 22% do rival, que estava em tendência de alta.

As três divulgações seguintes, no entanto, mostraram uma estagnação do petista, diante de uma trajetória ascendente do líder da corrida eleitoral.


(Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

A pesquisa é a quarta a ser divulgada desde que Bolsonaro recebeu alta do Hospital Albert Einstein, onde ficou internado após ter sofrido uma facada há cerca de um mês.

O candidato não fez campanha e, após avaliação médica, decidiu não participar do último debate presidencial.

Fora das ruas, Bolsonaro atua por meio das redes sociais. Na reta final, parte da estratégia tem sido tentar conquistar eleitorado onde o PT é forte. Em entrevista a uma rádio de Pernambuco, o deputado federal lamentou a prisão do ex-presidente Lula, em um aceno ao Nordeste.

A tendência de alta de Bolsonaro se reflete na sondagem de votos válidos, que excluem brancos e nulos, mostra o Datafolha. Nesse caso, ele tem 39% das intenções de voto, à frente de Haddad, com 25%.

Caso a sondagem se confirme, haverá segundo turno. Para ser eleito em primeiro turno, um candidato precisa de 50% dos votos válidos mais um voto.

Hitler

Oscilando dentro da margem de erro tanto no Datafolha como no Ibope, o candidato do PT tem buscado um tom mais enfático às vésperas das eleições. Em vídeo divulgado ontem, a campanha do PT compara o capitão reformado ao ditador nazista Adolf Hitler. A peça é encerrada pelo bordão "Ele não", usado nas manifestações contra Bolsonaro do último fim de semana.

Segundo análise dos diretores do Datafolha Mauro Paulino e Alessandro Janoni, o cenário indica que há uma possibilidade de mudança de votos. De acordo com a análise, um quarto do eleitorado cogita trocar o voto até o dia das eleições. Esse percentual é maior entre os eleitores de Marina Silva (Rede): 61% consideram a hipótese.

"Em 2014, 23% dos eleitores definiram candidato para presidente na última semana. Neste ano, esse índice pode aumentar, embalado pelo acirramento da disputa numa eleição", destacam, no artigo. Para Eugênio Giglio, professor de marketing político da ESPM, esse é um fenômeno histórico das eleições.

"O eleitor médio costuma decidir no final. Isso fica mais forte em uma eleição curta como essa", afirmou.

Segundo turno

O cenário de segundo turno indica uma disputa apertada, exceto quando o confronto é entre Ciro Gomes e Bolsonaro.

Em uma disputa entre Bolsonaro e Haddad, a sondagem indica vantagem apenas numérica para o candidato do PSL, 44% a 43%, o que significa empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.

Entre Bolsonaro e Alckmin, o resultado seria de 43% a 42% para o tucano, também empate técnico. Ciro derrotaria o candidato do PSL por 48% a 42%.

Os dois líderes da corrida presidencial mantiveram altas taxas de rejeição. Segundo a sondagem, 45% dos eleitores não votariam de jeito nenhum em Bolsonaro, o mesmo percentual apontado na divulgação anterior. A taxa de Haddad é de 40%, um ponto percentual a menos que o do levantamento anterior. A taxa, no entanto, parou de crescer para ambos os candidatos.

Estados

A força eleitoral de Bolsonaro não se transferiu para candidatos do PSL que concorrem em 13 estados. Apenas um deles tem chances de disputar o segundo turno, Antonio Denarium, em Roraima. Segundo as pesquisas, Bolsonaro lidera a corrida presidencial em seis dos estados em que o PSL lançou candidatos. Em cinco deles - Acre, Amapá, Rondônia, Santa Catarina e Tocantins -, os correligionários têm desempenho pífio. Aquele que melhor pontua é Capitão Ulysses, que está em terceiro lugar com 6% na eleição acreana.

O desempenho demonstra que fracassou a aposta que a legenda fez em Bolsonaro para catapultar seu poder.

O empresário Antonio Denarium diz que a associação com Bolsonaro não garante sucesso eleitoral. Ele concorre pela primeira vez a um cargo público e está em segundo lugar nas pesquisas em Roraima, com 29%, atrás do adversário do PSDB, Anchieta, que tem 41%.

"A imagem do Jair Bolsonaro é importante, mas cada pessoa precisa ter representatividade na sociedade. Se não tiver, é muito difícil expor o seu projeto", afirmou Denarium.



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