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(Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Vitória Contundente: Camilo é reeleito para mais quatro anos de mandato.

Com 79,9% dos votos, o petista é o governador mais bem votado da história do Ceará e consolida a força do grupo político liderado por Cid e Ciro Gomes.

08/10/2018

Apoiado por 24 partidos e por praticamente todos os 184 prefeitos cearenses – apenas quatro gestores públicos estão na oposição –, o governador Camilo Santana (PT) foi reeleito para o segundo mandato com quase 80% dos votos. O mandatário petista foi o mais bem votado entre os candidatos a governador do País, nas eleições deste ano, e também da história do Estado.

Até ontem, nenhum outro chefe do Executivo estadual havia registrado votação superior a que Camilo obteve nas urnas: 3,4 milhões de sufrágios. A vitória “folgada” do petista cacifa mais uma vez o grupo governista, liderado pelos irmãos Cid e Ciro Ferreira Gomes, no poder, após 12 anos com o bastão.

Para o cientista político Cleiton Monte, professor universitário, que fez tese de doutorado sobre a política de alianças nos governos Cid Gomes à frente do Palácio da Abolição, a “hegemonia” do grupo governista na política cearense se deve à “elasticidade” que tem de agregar lideranças das mais diversas correntes.

Este seria o mesmo “modus operandi” seguido por Camilo Santana que, segundo Cleiton Monte, contribuiu para garantir a ampla vitória do petista neste ano. “Agregar o maior número de aliados possível e desidratar a oposição é uma particularidade deles”.

Projetos

Para Cleiton Monte, a força política de Camilo, no entanto, deve ser testada no segundo mandato. “Até esse momento, o Governo Camilo foi ainda muito atrelado aos projetos do Cid. Agora, o que pode ser a marca do Camilo é que ele sempre foi muito aberto ao diálogo”, avaliou.

Foi justamente a essa capacidade de diálogo que Camilo Santana atribuiu a formação de uma base tão ampla de apoio. No primeiro mandato, o petista, inclusive, segundo articuladores, costuma reservar as segundas-feiras para receber lideranças políticas e apoiadores no gabinete.

Em entrevista coletiva no comitê de campanha, na noite de ontem, após a confirmação do resultado, ele disse que “qualquer partido, de qualquer ideologia” será sempre bem-vindo ao governo. Ao ser questionado pelo Diário do Nordeste sobre como vai acomodar tantos aliados no segundo mandato, a partir de 2019, Camilo fez questão de dizer que a sua gestão tem um “perfil técnico”.

“Vocês podem avaliar todo o meu secretariado, são pessoas das universidades, são pessoas que têm contribuído com o Ceará e dessa forma vou continuar governando com aqueles que tenham a capacidade de colaborar, de construir o futuro melhor para o Estado do Ceará. Eu não faço política nem com rancor, nem com ódio. Quem quiser ajudar a construir esse projeto será sempre bem-vindo, seja de qualquer partido, de qualquer ideologia. Vou procurar todos os deputados federais e senadores”, destacou.

Camilo considerou que o seu maior desafio será a violência. “Nós temos um planejamento na segurança. Agora, vamos implementar o reconhecimento facial, vamos também avançar no aumento do efetivo da Polícia. Eu quero fazer da Polícia Civil do Ceará a melhor do País. Temos uma nova turma da Polícia Militar em formação. Qualquer mudança de (titular) de Pasta só será feita a partir de primeiro de janeiro”, pontuou.

Segundo turno

Diante do segundo turno entre os candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), do seu partido, Camilo Santana disse que o momento é de “procurar unir esforços para nos unirmos no Brasil” contra o militar reformado.

“O Bolsonaro representa o que há de mais atrasado no País, e o Brasil não pode retroceder. É preciso acabar com essa história de divisão, esse ódio paralelo. Vamos construir as pontes para que o Brasil possa encontrar o seu rumo”. O governador reeleito também fez menção a Ciro Gomes (PDT), que ficou em terceiro lugar, como um “grande homem brasileiro”.

Festa discreta, sem discursos acalorados

Diferente da eleição de 2014, quando Camilo Santana foi eleito governador pela primeira vez com pompa, neste ano, pouco participou da festa. Quando o petista já estava reeleito, por volta de 20h, poucos eram os militantes presentes no comitê para comemorar. Nem a banda de forró no palco fez o público permanecer.
Camilo também demorou para chegar ao comitê e, quando chegou, quase às 22h30, não foi pela entrada principal. Ele entrou pela sala da imprensa e saiu por lá mesmo, acompanhado da vice-governadora, Izolda Cela (PDT), e de aliados do PT. Cid Gomes e Ciro Gomes não compareceram. A festa terminou discreta, sem discursos acalorados.

"Eu não faço política nem com rancor, nem com ódio. Quem quiser ajudar a construir esse projeto será bem-vindo”


“Vou continuar governando com aqueles que tenham a capacidade de colaborar”

Camilo Santana (PT)
Governador reeleito



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