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Ativistas de movimentos sociais e de partidos de esquerda se manifestaram contra casos de violência ligada ao debate eleitoral, como a morte do mestre de capoeira Môa do Katendê, em Salvador (BA). (Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Relatos de violência contra militância preocupam autoridades

Após o resultado do primeiro turno da corrida presidencial, delegacias registram relatos de agressões físicas contra partidários de candidatos, criando um clima negativo na campanha e prejudicando a convivência pacífica.

13/10/2018

A disputa entre direita e esquerda na eleição presidencial acirrou os ânimos dos seus apoiadores desde a apuração das urnas do primeiro turno. Relatos de violência entre militantes proliferam pelo País.

Um estudo da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da FGV mostra que os comentários sobre agressões por motivação política geraram 2,7 milhões de postagens desde que o segundo turno começou, contra 1,1 milhão nos 30 dias anteriores à eleição. Essas postagens repercutem denúncias de agressões que circulam nas redes ou são notícias nos jornais.

Em Pernambuco, a Polícia Civil está à procura de três homens e uma mulher acusados de lesão grave e ameaça contra a produtora e servidora pública Paula Pinheiro Ramos Pessoa Guerra, 37. Ela foi espancada na noite do domingo, em um bar, supostamente por usar adesivos e bottons em apoio ao pedetista Ciro Gomes e ao movimento #EleNão.

Segundo a Polícia, Paula estava no bar acompanhada de um amigo, quando foi questionada pelos homens sobre "o porquê de não votar em Bolsonaro". O grupo discutiu, quando uma mulher começou a agredir a servidora com socos, enquanto os homens impediam que os funcionários do bar e outros clientes interrompessem a agressão.

A mulher foi salva por um dos garçons que conseguiu esconder Paula na cozinha até que o grupo acusado de cometer as agressões saísse do local. A vítima ficou com hematomas pelo rosto e teve um dos braços quebrados.

"Ela ainda conseguiu filmar os homens, no entanto, a agressora pegou o celular dela e quebrou. Foi um crime de motivação política", afirmou a delegada. "Vamos prestar toda a assistência a essa vítima e monitorar esse caso para que não volte a se repetir com outras mulheres", disse a secretária da Mulher de Pernambuco, Silvia Cordeiro.

Sul

Já a Polícia Civil do Rio Grande do Sul continua investigando a agressão contra uma jovem de 19 anos que teve um símbolo semelhante a uma suástica marcado com canivete em sua barriga. A estudante, que carregava uma mochila com um adesivo da bandeira LGBT e os dizeres "ele não", foi atacada por três homens na segunda, em Porto Alegre. Ela registrou Boletim de Ocorrência, prestou depoimento e se submeteu a um exame de corpo de delito, cujo resultado deve sair em até 30 dias. Mas decidiu não representar criminalmente contra os agressores.

Por lei, ela tem até seis meses para fazer a representação. Segundo a advogada Gabriela Souza, o objetivo é preservar a saúde mental e emocional da vítima. O delegado Paulo César Jardim, que apura o caso, diz que a investigação prossegue, mesmo sem a representação. Jardim garante que não se trata de uma suástica, mas um símbolo budista. A Polícia ainda não identificou quem são os agressores.

Ministério Público combate violência

A procuradora-geral eleitoral e da República, Raquel Dodge, editou instrução aos procuradores regionais eleitorais das 27 Unidades da Federação sobre a apuração e a responsabilização de autores de ilícitos eleitorais. O Ministério Público avalia a multiplicação dos episódios de agressão entre eleitores por causa da polarização entre PT e PSL. A instrução busca combater situações de ódio e violência. Pela orientação, os procuradores devem responsabilizar quem fizer apologia à guerra e a processos violentos ou praticarem e estimularem todo tipo de preconceito.



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