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A Penitenciária Federal de Brasília conta com 208 celas individuais, distribuídas pelos quatro blocos em 12.300 metros quadrados. (Foto: Agência Brasil)

Crise do sistema prisional é ignorada por presidenciáveis, reclama ministro.

Raul Jungmann, ministro da Segurança Pública, tratou a questão prisional como o principal problema da área e cobrou o debate desse tema pelos presidenciáveis.

17/10/2018

Ao inaugurar parcialmente a quinta penitenciária federal do Brasil, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou que a questão prisional é o principal problema da Segurança Pública, mas tem sido ignorada durante a campanha presidencial. A fala do ministro foi dada durante a solenidade realizada ontem, em Brasília, para inaugurar apenas uma das quatro alas da penitenciária federal, que terá capacidade para 208 presos.

Instalada em uma área de 12,3 mil metros quadrados, a penitenciária vai abrigar presos condenados e provisórios que tenham relação com facções criminosas e, ainda, réus colaboradores que corram risco de morrer no sistema estadual. A unidade ainda terá espaço para receber brasileiros extraditados de outros países. A ala inaugurada terá capacidade para 52 detentos, mas não se sabe quais presos serão transferidos para lá.

"A questão prisional é o maior problema da segurança pública. São 720 mil apenados, número que cresce 8,3% ao ano, e 70 facções criminosas, entre grandes e pequenas, que comandam o crime de dentro dos presídios. Mas esse tema não dá voto. Da porta para dentro da cadeia, a sociedade não se preocupa mais", afirmou o ministro.

Custo

A construção da nova penitenciária custou cerca de R$ 40 milhões, e outros R$ 5 milhões foram investidos em equipamentos. No início de seu discurso, Jungmann pediu um minuto de silêncio em nome dos agentes penitenciários federais assassinados por facções criminosas. O ministro sugeriu que a de Brasília seja batizada com o nome de algum dos agentes mortos pelo crime organizado.

Segundo o ministro, o sistema prisional brasileiro, majoritariamente estadual, é comandado pelas facções que o transformaram em um escritório do crime. No entendimento de Jungmann, como o Estado não consegue garantir a vida dos detentos, esses grupos organizados exercem essa função. "Estamos recrutando integrantes para as facções e estamos graduando esses criminosos", afirmou o ministro.

Jungmann também abordou a necessidade de mudança de lei para evitar que os detentos em presídios federais consigam se comunicar e repassar ordem para integrantes das facções que estão fora.

A Subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil analisa um projeto para liberar a gravação de conversas entre detentos de penitenciárias federais e seus advogados.



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