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Aécio Neves e Geraldo Alckmin, os dois últimos presidenciáveis pelo PSDB, partido que precisa se reestruturar após revés nas urnas. (Foto: Arquivo/Diário do Nordeste)

Onda conservadora mira PT e atinge também o Centrão.

Para especialistas, a fragmentação partidária contribuiu para o enfraquecimento dos partidos de centro.

22/10/2018

A expressiva votação do candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) no primeiro turno representou a ascensão de uma linha ideológica mais extrema da direita no espectro político brasileiro. Embora o discurso seja mais direcionado contra o PT e a esquerda, a escalada 'bolsonarista' nas urnas atingiu fortemente partidos historicamente ligados à centro-direita ou mesmo ao "Centrão", como PSDB, DEM e MDB.

O cientista político Cleiton Monte, do Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia (Lepem) da UFC, elenca como justificativa a própria figura de Bolsonaro, insatisfações dos eleitores com o 'político profissional', crise das instituições, falta de segurança pública e rejeição ao PT. "Não apenas o antipetismo. Eles trabalharam um discurso antissistema. Parte da sociedade tem empatia por essa pauta", diz.

Paula Vieira, doutora em Sociologia, acrescenta a evidência dos direitos relacionados a grupos minoritários, sobretudo no início do primeiro Governo Lula. "Uma corrente que tende a achar que a inclusão de outros grupos significa a exclusão dos que já tinham maioria, reagiu", diz. Para Vieira, julgamentos como o Mensalão e as manifestações de 2013, já destacavam alta do conservadorismo.

"Até aquele cenário, o que nós tínhamos era disputa plural, de movimentos diferentes, e isso é a base da democracia representativa. A partir de então, tivemos um maior destaque para as bancadas conservadoras: da Bíblia, da bala, e do boi", explica. Na opinião dela, a fragmentação partidária contribuiu para o enfraquecimento da direita mais alinhada ao centro e da própria centro-esquerda, quando os parlamentares ficaram mais vinculados a pautas temáticas que a programas partidários.

Contra o PT

Neste contexto, Cleiton Monte complementa o cenário de fragilidade de PSDB e DEM. "Partidos que historicamente se colocavam contra o PT. PSDB pode ser colocado como partido de centro-direita e o DEM de direita. O discurso e o programa dos deputados do PSL são abertamente de extrema-direita", contrapõe.

A divisão entre os tucanos expõe o conflito. Uma ala é liderada por Geraldo Alckmin e Fernando Henrique Cardoso. A outra, sob a tutela de João Doria. "Se conseguirem afastar o Alckmin da presidência, o PSDB estará na base do Bolsonaro", aposta.

Para os demais partidos, o caminho deve ser buscar coalizão com o Planalto. Paula Vieira, no entanto, acredita que este ambiente de negociação será pouco provável em eventual vitória de Jair Bolsonaro.



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