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Na reta final do segundo turno, o petista fez diversos apelos pelo apoio do pedetista. (Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Ciro e Haddad vão disputar o comando da crítica ao governo.

Segundo e terceiro colocados na disputa presidencial, PT e PDT, aliados históricos, abrem este novo momento rompidos no cenário nacional e terão dificuldade para reorganizar suas bases.

29/10/2018

O resultado das urnas fez surgir uma aparente ruptura entre partidos da esquerda que se colocam, agora, como oposição a Jair Bolsonaro. Apesar de terem em comum um posicionamento contrário ao do presidente eleito, PT e PDT tendem a não ficar lado a lado a partir de 2019. "Não quero fazer campanha para o PT nunca mais", disse, ontem, a principal liderança pedetista, o candidato derrotado no primeiro turno, Ciro Gomes, dando o direcionamento do novo momento.

Ciro e Fernando Haddad, segundo e terceiro colocados na disputa ao Planalto, respectivamente, aparecem como os líderes de um movimento crítico ao próximo governo neste momento em quem ainda não se sabe como se posicionarão lideranças de centro-direita.


Ainda sem saber o resultado das urnas, Ciro abriu campanha de olho na eleição de 2022. (Foto: José Leomar)

O clima turbulento entre petistas e pedetistas foi iniciado no Ceará com o tom crítico do senador eleito Cid Gomes com relação à candidatura do PT e tende a se tornar mais evidente nos próximos meses.

A ressaca da derrota no comitê petista em Fortaleza, ontem, após a confirmação do revés nas urnas, deu o tom do novo capítulo da relação. José Guimarães, o coordenador da campanha de Haddad no Ceará, falou de "página virada" em relação ao PDT. "Esperávamos que ele (Ciro) estivesse conosco, mas se não esteve. Ele que pague", declarou em entrevista no diretório estadual do partido.

Para ele, o fato de Ciro não ter apoiado Haddad explicitamente foi um fato menor. "Tivemos no Ceará mais de 71% dos votos. É uma grande vitória. Não tenho que reclamar de nada. Até porque o povo do Ceará deu a resposta", declara. O Ceará foi o único estado onde Ciro venceu a disputa presidencial no 1º turno.

Em discurso, ele citou que os partidos de esquerda saem fortes para fazer a oposição. O PDT não foi citado.

Mais cedo, Ciro voltou a sinalizar críticas ao PT. "Essa confrontação miúda vem destruindo a economia brasileira e agravando dramaticamente a condição social do povo mais pobre. Eu atravessei esse quadro todo porque acredito que o Brasil precisa desesperadamente desarmar essa bomba", disse.

Guimarães, entretanto, afirma que não apenas Haddad saiu legitimado para liderar a oposição. Ao PT também foi dada essa missão. "O PT sai forte e vai se reconstruir, recompor-se para liderar a oposição política a Bolsonaro", declara. "Quem diz que o PT está morto, que não quer mais conviver com o PT, está dando um tiro no pé", rebate. Ele afirma que na próxima terça-feira, 30, a Executiva Nacional do partido deverá chamar todos os partidos de esquerda para discutir estratégias.

Para ele, o partido não sobreviveu apenas no Nordeste. "Fomos bem em vários Estados do Norte e também do Sudeste", declarou, ao apostar que Bolsonaro terá a maior oposição política.

Outro contexto

Apesar do distanciamento nacional, a aliança que dá sustentação ao governador Camilo Santana segue intacta. Ciro deu demonstração de que tem "muito orgulho do Camilo, ele vem crescendo muito como governante, como liderança. Ninguém pode crescer raiz na política, o caudilhismo só leva o Brasil para trás".

Já o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, presidente do PDT na Capital, afirmou que na Capital as circunstâncias são outras, mas não descartou que pode haver alguma mudança.

O presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque (PDT), afirmou que a relação com o petista Camilo Santana seguirá sendo a mesma, visto que ele é aliado do grupo liderado no Ceará pelos Ferreira Gomes.

Cid Gomes também se posicionou contrário à aliança com o Partido dos Trabalhadores, a partir do próximo ano. Segundo ele, a campanha no segundo turno primou mais pela negação, pela contestação e pelo medo. "O Brasil passa por um momento muito complicado de sua história e a gente perdeu a oportunidade de se aprofundar mais nessas questões".



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