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Líder do governo na Câmara Municipal, o vereador Ésio Feitosa admite desconforto com incorporação. (Foto: José Leomar)

Partidos negociam integrações e modificam cenário no Ceará.

PPL e PCdoB já decidiram que seguirão unidos. Outras legendas negociam soluções semelhantes.

06/12/2018

Os 14 partidos que, na eleição deste ano, acabaram sendo barrados pela recém-criada cláusula de desempenho já começaram suas negociações para tentar driblar a situação, e isso tem impactos no Ceará. As siglas que mais avançaram foram o PCdoB e o PPL. As legendas decidiram, no último domingo (2), que a segunda seria incorporada à primeira, que seguirá como PCdoB. Desta maneira, o partido contará com dez deputados federais em nove estados, quantitativo suficiente para que não sofra as sanções previstas na legislação.

Entretanto, nem todos ficaram felizes com a decisão. “Teria sido importante que os diretórios municipais e estaduais do partido tivessem sido ouvidos a respeito dessa ideia. Obviamente, isso gera um desconforto”, opina o vereador de Fortaleza Ésio Feitosa (PPL). Segundo ele, a decisão foi tomada em esfera nacional, e os estados foram apenas informados sobre a incorporação. De acordo com o parlamentar, isso não impede que eles continuem com as discussões, mas a saída da sigla não está descartada.

Há um esforço, entretanto, para que os três vereadores do PPLs não deixem a sigla. O único representante do PCdoB na Câmara Municipal de Fortaleza, Evaldo Lima, em discurso na terça (4), convidou os colegas a ingressarem nas fileiras do partido. “As afinidades entre o PCdoB e o PPL estão no DNA ideológico das duas organizações”, disse. Ele frisou, porém, que a migração não é automática, “e nós respeitamos o tempo de cada liderança política”.

De acordo com Felipe Braga, professor de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC), deixar as atuais legendas é um direito que compete aos parlamentares afetados pela situação, já que não caberia aos partidos cobrar dos filiados fidelidade partidária. “Pode ser feita a troca. Ela não terá nenhum impacto”.

PRP e Patriotas

Presidente estadual do PRP, o vereador de Fortaleza Emanuel Acrízio explica que a sigla caminha para um destino parecido ao do PPL. O parlamentar afirma que há conversas com três partidos, mas a mais avançada é com o Patriota, que incorporaria o partido de Acrízio. “Acredito que até o fim do mês devemos ter uma decisão”, disse. Como no caso do PPL e do PCdoB, o vereador afirma que a discussão ocorre em esfera nacional.

Há também quem conte com uma possibilidade de adiamento da cláusula de barreira. É o caso do Democracia Cristã (DC). Segundo o presidente estadual do partido, o deputado estadual Ely Aguiar, o texto que instituiu o dispositivo é dúbio e permite a interpretação de que sua validade seria apenas a partir de 2020. “Isso é algo que ainda precisa ser debatido”, argumentou. O dirigente, entretanto, afirma que a agremiação já negocia o futuro com o PHS.

Entre políticos cearenses de partidos afetados pela cláusula, alguns, porém, não têm pressa. “Afinal de contas, tempo de televisão a gente vê que não influencia mais tanto e dinheiro nós não recebemos aqui para nada”, minimizou o vereador Portinho, do PRTB. Segundo ele, internamente, a ordem, no momento, é esperar. “É preciso muita cautela para não atropelarmos o processo”, declarou o parlamentar. A sigla, atualmente, conta com quatro vereadores.



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