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Jô compartilha diversos momentos das viagens no Facebook, onde muitos seguidores elogiam e trocam ideias sobre o assunto. (Foto: Reprodução / Facebook)

Cearense de 59 anos deixou casa no Brasil e vive em viagens sozinha pelo mundo.

Nascida em Juazeiro do Norte, Josefa Feitosa resolveu sair da residência fixa que mantinha para se aventurar em vários países.

09/03/2019

A cearense Josefa Feitosa, de 59 anos, poderia ter escolhido viver tranquilamente ao lado dos filhos e netos, mas resolveu tomar uma decisão que era sonho há tempos: partir em viagem pelo mundo para conhecer os mais diferentes lugares. Agora em temporada na Malásia, Jô, como é conhecida, se aposentou em 2016 do cargo de assistente social no sistema prisional do Ceará e começou a saga, que atualmente tem como resultado 40 países visitados.

A história do desejo de embarcar nas mais diversas jornadas veio de cedo, quando ainda era um hábito observar as chegadas e partidas dos mais próximos. "Morava no Juazeiro, numa família muito conservadora, cheia de homens. Tinha três irmãos homens e, assim, meu pai, ainda por cima, tinha umas dificuldades. E eu pensava muito em deixar aquilo tudo e ir embora e viver uma vida com liberdade. E aí sempre achei que o mundo ia me abraçar. Num momento desses, qualquer, eu achava que ia ganhar o mundo mesmo", comenta.


As redes sociais, inclusive, servem para se comunicar com os filhos. (Foto: Reprodução / Facebook)

Foi a chegada da aposentadoria o fator responsável por tornar possível essa experiência. Como sempre viajava para outros estados brasileiros, ela conta que resolveu ir para Belém logo após deixar o emprego. "Eu resolvi sair, comprei a passagem só de ida, obviamente, e fui pra Belém de avião e me hospedei. Comprei uma passagem de barco, daqueles barcos que sobem o Rio Amazonas todinho. Aí eu fiquei cinco dias naquele barco, dormindo de rede, e viajando com o pessoal do Norte, ouvindo as pessoas. Foi uma aventura fantástica".

40 é o número de países visitados pela cearense até então.


Mochilão

Nada de muito luxo ou muita bagagem para viajar. Segundo Jô, a filosofia é a de viver com o necessário para estar bem. "Agora o que eu abraço é o minimalismo. Não pago excesso de nada, eu também não compro nada, porque eu não tenho mais casa, não tenho mais necessidade de ter tanta roupa. O consumismo pra mim não rola mais".

Essa forma de viver foi levada para ainda mais longe. Logo depois da temporada em Belém, ela seguiu para a Europa, onde palestrou em Portugal e na Espanha sobre o trabalho que realizava, atuou como babá na Irlanda e, além disso, visitou a Holanda, Escócia, Suíça, Bélgica e a Itália.


Nas viagens, Jô aproveita para interagir com os moradores locais e fazer roteiros de baixo custo. (Foto: Reprodução / Facebook)

Foi então que, em 2018, partiu rumo a uma temporada na África do Sul. Até hoje, passou por países como Quênia, Ruanda, Uganda, Egito, Israel, Índia, Nepal e Laos para finalmente se estabelecer no Vietnã. Os planos são para retornar em abril ao Brasil e renovar o passaporte com o intuito de conhecer novos países.

Não pago excesso de nada, eu também não compro nada, porque eu não tenho mais casa.


Família

Nascida em uma casa com oito pessoas, Josefa deixou Juazeiro do Norte para estudar em Fortaleza. Na Capital, casou e teve três filhos, até que viu o relacionamento de oito anos chegar ao fim. "Eu fiquei sozinha com três filhos para criar, e essa criatura sem dar um centavo. Foi muito difícil. Então, comecei a ver outras coisas, fui dar aula e foi bom porque conheci outra profissão", conta. Nada disso foi empecilho para construir uma carreira e ser feliz ao lado dos familiares.

Exatamente por isso, sair sozinha pelo mundo não foi tão fácil como parece. "Uma das coisas que eu mais sofri foi deixar a família, meus filhos, os amigos, e o conforto", diz. No entanto, mesmo distante ela procura manter contado com os que ficaram no Brasil. Questionada sobre as dificuldades, Jô não hesita ao afirmar que se preparar é essencial.

"Uma das coisas que eu mais sofri foi deixar a família, meus filhos, os amigos, e o conforto" - Josefa Feitosa


Para a filha, Izabel Accioly, 30, o início foi de preocupação, mas a sensação também é de orgulho. "Há muitos anos ela falava sobre isso e a gente não levava tanto a sério. Só que as coisas começaram a ficar mais claras, por exemplo, quando ela comprou um mapa múndi e colou na parede. Também quando ela começou a viver uma vida muito simples para juntar dinheiro", relata ao também falar de todo o processo de planejamento feito pela mãe durante vários meses.

Para matar a saudade, as redes sociais parecem ser fator fundamental. "Nós nos falamos muito pelo Whatsapp e também acompanhamos os passos dela pela página do Facebook. Esse meio, inclusive, foi a forma que ela encontrou de registrar tudo e mostrar para nós e para os amigos mais próximos", explica Izabel.

Sonhos

O apoio familiar foi importante para que Jô se sentisse confiante. "É a questão mesmo de você largar a família, largar a sua casa. Mas eu acho que, tu sabe que eu nem tive muita dificuldade? Porque, como eu já tava trabalhando desde cedo na minha cabeça, eu comecei cedo a me dar conta de que eu tinha que passar algumas coisas", reitera.

Izabel, que é antropóloga e vive em Fortaleza, acredita na figura inspiradora de uma pessoa tão querida. "Ela ensina para a gente sobre força e coragem".

Por enquanto, os planos seguem no rumo de quem ainda tem centenas de lugares a conhecer, além de uma quantidade infinita de lições a aprender. "Tem que sair pra ler o mundo", finaliza.

E se tem saudades do Brasil? Josefa não esconde o quanto ama os detalhes das terras cearenses. "Sinto falta do cuscuz (risos), das praias. São lindos os nossos lugares, Jericoacoara, Canoa Quebrada…Há alguns lugares que se aproximam daqui, mas é muito diferente. Nossa gente, nossa música, nossa comida, não tem lugar mais lindo que o Brasil, não".


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