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O setor da construção civil foi o que registrou maior crescimento, com alta de 1,9% no segundo trimestre. (Foto: Kid Júnior)

PIB surpreende no 2º trimestre, mas não garante fim da recessão.

Especialistas apontam ser preciso esperar o resultado dos próximos trimestre para declarar oficial a retomada do crescimento. Com prévias positivas, Ceará deve apresentar resultados ainda melhores que o nacional, segundo previsões.

30/08/2019

Após um resultado negativo nos primeiros três meses do ano, o Produto Interno Bruto (PIB) surpreendeu o mercado, que havia previsto resultados negativos, e apresentou leve alta de 0,4% no segundo trimestre de 2019. A variação, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi observada na comparação com trimestre imediatamente anterior. Apesar da boa surpresa, especialistas alertam que a taxa sozinha ainda não significa uma saída definitiva da recessão.

O coordenador de contas regionais do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Estado do Ceará (Ipece), Nicolino Trompieri, afirma que é preciso esperar os resultados dos próximos trimestres antes de dizer que a retomada está finalmente acontecendo. "Tivemos um PIB negativo bem próximo. Foi um bom resultado, que não estava sendo esperado, mas ainda não dá para comemorar", explica.

Atividade econômica

O Índice de Atividade (IBC-Br), medido pelo Banco Central (BC) e considerado uma "prévia do PIB", havia ficado negativo em 0,13% no segundo trimestre após recuo de 0,68% nos primeiros três meses do ano.

Ricardo Eleutério, vice-presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), esclarece que as duas variações negativas consecutivas tipificam recessão econômica. "Muitas vezes o resultado do BC e do IBGE não batem, como aconteceu neste segundo trimestre. Com a alta do PIB, fugimos de mais uma recessão. Foi um certo alívio. Seria a 10ª (recessão técnica) nos últimos 40 anos".

Resultado no Ceará

Ao mesmo tempo, apesar dos cálculos do PIB estadual ainda não estarem concluídos - deverão ser divulgados em setembro -, Trompieri adianta que, já no primeiro trimestre, o Ceará alcançou alta na pesquisa do BC, no sentido contrário do Brasil (-0,2%). "No segundo trimestre, nosso IBC foi positivo em 1,84%. Então é provável que tenhamos um PIB com bom desempenho. Mas precisamos esperar o fim da apuração em breve para dizermos com certeza", prevê.

Nível de investimentos

O coordenador de contas regionais do Ipece aponta ainda que o principal destaque para o resultado do PIB ficou por conta da retomada dos investimentos na economia, chamado de Formação Bruta de Capital Fixo, que apresentou alta de 3,2% no segundo trimestre ante o primeiro. "Isso é explicado em parte pela indústria, que vinha utilizando o estoque acumulado durante a crise. Agora, ele parece ter acabado, o que demanda novos investimentos", afirma.

Eleutério acrescenta que o nível de investimento é uma das variáveis que mais contribuem para a aceleração do PIB. "Entre os segmentos, vemos um protagonismo da construção civil, que interrompeu uma série de quedas que vinha há muito tempo e a indústria da transformação, dois setores fundamentais na dinâmica macroeconômica".



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