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O antigo camelódromo do Crato está, hoje, em conformidade com as normas sanitárias ado de fora. (Foto: Antonio Rodrigues)

Comércio informal mostra cenários distintos no interior do Estado.

Estruturas para funcionamento de comércio informal no interior 'transitam' entre a precariedade e a modernização. Espaços são considerados fundamentais para a geração de renda de milhares de famílias.

07/10/2019

Foram quase quatro décadas funcionando em um espaço que, inicialmente, contava com apenas 40 barracas instaladas de forma apertada, sem proteção do sol ou da chuva e em chão batido. Esta estrutura do antigo camelódromo do Crato deu lugar ao moderno Shopping Popular Belizário de Souza Primo, inaugurado em 2018, que passou a acolher 179 comerciantes. Em pouco mais de um ano, a mudança de cenário atraiu novos clientes e tem agradado a vendedores. No entanto, em outras regiões do Ceará, o comércio informal ainda mantém precariedade - cenário comum da maioria dos municípios do Estado.

Com investimentos de R$ R$ 1,8 milhão, o Shopping Popular do Crato recebeu uma praça de alimentação, banheiros e nova fachada. As melhorias eram uma velha demanda dos permissionários, já que o camelódromo não contava com acessibilidade, instalações elétricas, hidráulicas, sanitárias e pluviais adequadas. O antigo espaço chegou a ser classificado como "inapropriado e inseguro" pelo Corpo de Bombeiros do Município.

De acordo com a presidente da Associação dos Comerciantes Informais do Crato (Acic), Marta Fontes, o conforto é um dos principais destaques do novo equipamento. "Aqui, era muito ruim de trabalhar. Muito apertado, sem falar que era arriscado", ressalta. Com a boa localização, o shopping popular aumentou o fluxo de pessoas. "Trouxe um público diferente. Muita gente não entrava aqui", completa Marta. O espaço é mantido pelos membros da própria associação, que pagam, por mês, R$ 50 para os custos de limpeza, água e energia elétrica.

Contraste

Já em Iguatu, maior cidade da região Centro-Sul, no entorno do antigo mercado público, foram improvisadas dezenas de barracas que vendem frutas, verduras, grãos, refeição e outros produtos. Após 43 anos, o espaço está descaracterizado com a presença de barracas e feirantes tanto na lateral quanto atrás do imóvel. Vista do alto, a imagem revela um amontoado de cobertas de plástico, madeira, telha de amianto e de zinco. As calçadas foram ocupadas pelos feirantes.

As condições de trabalho são precárias. O prédio não foi ampliado e passou apenas por pequenas reformas. Por falta de espaço, vendedores ocupam as calçadas dos dois lados e obrigam os pedestres a caminharem pelo meio da rua. O risco de acidentes com carros e motos é constante. Falta higiene para armazenamento e comercialização dos produtos. Quando chove, a situação fica mais grave ainda.

Há dois anos, foi construído o Centro de Feirantes de Iguatu, que permanece sem ocupação total dos 60 boxes. Ainda falta ligação de energia elétrica e de água. O projeto original não previa cobertura do imóvel, e os feirantes reclamam: "Não dá para suportar o calor, o sol que é muito forte depois das dez horas", disse a comerciante Zuíla Rocha.

O secretário de Infraestrutura do Município, Jocélio Viana, informou à reportagem que o antigo mercado público ganhou, na atual gestão, pequenas intervenções e que, no futuro, deve receber uma reforma mais ampla.


Em Iguatu, dezenas de barracas de frutas, verduras e outros produtos se amontoam do lado de fora. (Foto: Honório Barbosa)

Melhorias

Em Quixadá, maior cidade do Sertão Central, o espaço do comércio informal funciona há quase duas décadas em um trecho da Rua Dr. Eudásio Barroso. São menos de 1.500 m² de área para acomodar 110 camelôs. A expectativa é que, em breve, o local passe por uma intervenção de urbanização, explicou o secretário de Trânsito, Cidadania, Segurança e Serviços Públicos, Higo Carlos Cavalcante.

"O Sebrae será nosso parceiro na capacitação desses trabalhadores dentro do plano de mobilidade que estaremos iniciando em breve. Todas as barracas serão padronizadas e estarão locadas para deixarem corredores livres para os transeuntes. O investimento no projeto total, incluindo toda a área do Centro da cidade, está estimado em, aproximadamente, R$ 5 milhões", completou o secretário.

Improviso

O arquiteto e urbanista Paulo César Barreto lembra que os antigos espaços de comercialização dos produtos originários da agricultura familiar nas cidades eram abertos. "Só depois surgiram os mercados fechados, e que hoje enfrentam concorrências de mercadinhos", observou. "Os atuais mercados públicos precisam ser melhorados e são importantes porque mantêm tradição e incrementam o varejo", completa o especialista.

Por causa desse cenário de precariedade, o presidente da Associação dos Municípios do Ceará (Aprece), Nilson Diniz, chamou a atenção para o aspecto da higiene e da necessidade de fiscalização por parte da vigilância sanitária. "Temos de observar o lado da estética, da modernização desses mercados que devem oferecer condições adequadas de limpeza para venda de frutas, carnes", pontuou. "São espaços que precisam ser preservados por tradição e pelo aspecto cultural, além de ser fonte de renda familiar para milhares de vendedores", acrescenta o presidente da Aprece.



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