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O adiamento das cirurgias foi uma estratégia da Secretaria da Saúde para liberar leitos. (Foto: Reprodução)

Mais de 5 mil cirurgias serão suspensas por conta da Covid-19

Procedimentos eletivos começaram a ser adiados no dia 20 de março após determinação da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa). Ao completar um mês, a expectativa é que 5.149 intervenções sejam canceladas temporariamente.

Fonte: Diário do Nordeste
14/04/2020

A situação de emergência em saúde potencializada pela alta transmissibilidade do novo coronavírus Sars-CoV-2 vem exigindo a renovação frequente das medidas de contenção à Covid-19. No Ceará, além do isolamento social a partir da restrição de serviços, a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) também impôs a suspensão de cirurgias eletivas. Até o dia 20 de abril, quando se completa um mês da decisão, 5.149 procedimentos serão cancelados em toda a rede pública, a exemplo do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), Hospital de Messejana e Hospital César Cals, que têm maior demanda.

O adiamento das cirurgias foi uma estratégia antecipada para que pessoas diagnosticadas com a doença pandêmica tenham acesso a leitos. Isso porque autoridades sanitárias projetam uma maior acentuação dos casos que demandam internação hospitalar em virtude da gravidade clínica. Dessa forma, pacientes que não se enquadram em urgência e emergência tiveram a intervenção cancelada para evitar a sobrecarga de atendimentos nas unidades.

Conforme a Portaria n° 2020/295, publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) em 20 de março último, estão suspensas cirurgias eletivas plásticas, bariátricas, tireoidectomias não neoplásicas, fundoplicatura gástrica, reconstrução de trânsito, hemorroidectomias, ortopédicas, hiperplasia benigna da próstata, retirada de cálculos renais não obstrutivos e sem comprometimento da função renal, adenoamigdalectomia, septoplastia, herniorrafia inguinal ou incisional e também colelitíase assintomática.

Aviso

Dois dias antes de fazer o procedimento de retirada do útero, o celular da vendedora Lúcia Carvalho tocou. Do outro lado da linha, a telefonista do hospital César Cals comunicou a suspensão. "Ligaram avisando que a cirurgia estava sendo adiada para uma nova data ainda sem previsão por causa da pandemia", lembra. A intervenção seria feita no dia 21 de março.

Embora já tivesse feito todos os exames pré-operatórios, Lúcia considera que a decisão foi acertada, tendo em vista o atual panorama de propagação do vírus. "Eu achei ótimo, porque ser submetida a uma cirurgia no meio dessa doença, seria muito arriscados para mim", diz, complementando que a intervenção acontecerá "quando tudo estiver bem. Vai ficar nas mãos de Deus", roga.

(Foto: Reprodução / Diário do Nordeste)

No caso da fonoaudióloga Gabriela Sales, a cirurgia para tratar três nódulos no pâncreas não chegou a ser agendada por opção dela e dos médicos que a acompanham. Ela havia feito os exames de imagem no mês passado, faltando apenas os laboratoriais. Com o encaminhamento, a expectativa era de que o procedimento fosse feito até o fim de abril.

"A minha última consulta com o endócrino foi dia 23. No mesmo dia, ele antecipou alguns exames que o cirurgião ia pedir para determinar se era necessário ou não da cirurgia. Eu fiz no dia seguinte a ressonância, e assim que o laudo foi emitido, eles entraram em contato comigo para confirmar a necessidade da cirurgia", explica.

No entanto, a elevação das confirmações de Covid-19 a fez suspender a intervenção. "Foi uma decisão pactuada com o cirurgião e o endocrinologista como medida de segurança", garante. Enquanto isso, a fonoaudióloga reforçou a dosagem do tratamento medicamentoso para aliviar os sintomas da hipoglicemia, causada pelos nódulos.

"São três insulinomas que aumentam a produção de insulina. Eu fico letárgica, desorientada e com a sensação de desmaio. Raras vezes eu desmaio, mas acontece. Eu estou sempre em contato com o meu endocrinologista para ajustar a dose da medicação. Ele e o meu cirurgião me dão muito suporte no acompanhamento", afirma.

Consultas

O documento assinado pelo titular da Sesa, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, o Dr. Cabeto, autoriza apenas a realização de cirurgias oncológicas ou aquelas que o adiamento possa resultar em risco de agravamento do quadro clínico do paciente. Por outro lado, a portaria determinou a suspensão de consultas ambulatoriais eletivas em hospitais públicos e policlínicas.

Considerando os 30 dias de reclusão domiciliar, são esperados que 23.423 atendimentos dessa natureza sejam adiados no Ceará. De acordo com a Secretária Executiva de Atenção à Saúde e Desenvolvimento Regional da Sesa, Josenília Gomes, pacientes com doenças crônicas e que precisam de medicação não tiveram o agendamento suspenso. A medida vale somente para os que foram encaminhados para primeiro atendimento.


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