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O governador Camilo Santana (PT) discursou por aproximadamente uma hora aos deputados estaduais e representantes de outros poderes no Estado. (Foto: José Leomar)

'O Ceará vencerá o crime', sustenta Camilo.

Na abertura do ano legislativo, o governador criticou discursos 'oportunistas' sobre a violência.

03/02/2018


O governador Camilo Santana (PT) disse ontem, na solenidade de abertura dos trabalhos do último ano de mandato dos deputados estaduais na atual Legislatura, que o "Ceará vencerá o crime". Em dois momentos de seu discurso de aproximadamente uma hora, Camilo falou sobre questões da Segurança Pública no Estado, reclamando, em determinado momento, dos "discursos oportunistas e politiqueiros" sobre os últimos homicídios registrados no Ceará.

Depois de seu discurso na Assembleia, o governador recepcionou a maioria dos deputados com um almoço no Palácio da Abolição. Só os parlamentares oposicionistas não participaram do encontro. Antes, no pronunciamento na sede do Legislativo, ele frisou que o Ceará é o Estado do País que "mais investiu" no combate à violência.

Negando que queira atribuir culpa ao Governo Federal pelos problemas enfrentados no Estado em relação à Segurança Pública, o chefe do Executivo Estadual afirmou, no entanto, que seguirá fazendo críticas ao "comportamento inerte" da União em relação ao crime organizado no Brasil. Em resposta às cobranças de deputados da oposição sobre o resultado de suas ações, Camilo pregou, ainda, união e condenou "discursos oportunistas e politiqueiros". Para minimizá-los, ele enfatizou conquistas obtidas na área da Educação.

Ações

Como ocorre todos os anos, antes de dar início ao ano legislativo, o governador subiu à tribuna da Assembleia, na manhã de ontem, para ler a Mensagem Governamental, quando fez um balanço da gestão em 2017 e apresentou projetos previstos para 2018. Camilo começou o discurso comemorando avanços na bandeira principal de seu governo, a Educação. Para ele, uma das medidas mais importantes para a prevenção da violência entre os jovens é o programa de escolas em tempo integral.

Camilo fez questão de lembrar que não havia nenhuma unidade com tal perfil quando assumiu o governo, em 2014, e citou que, até o fim deste ano, o Estado chegará a um total de 228 escolas nesta modalidade de ensino, representando 32% das escolas cearenses. O governador considerou também ter havido um "fortalecimento da carreira do magistério", com a convocação de novos professores efetivos e a nomeação de servidores para cargos administrativos nas universidades estaduais.

Hospitais

Já na área da Saúde, o governador negou que tenha diminuído os recursos para custeio e disse que investiu, no ano passado, R$ 150 milhões a mais do que em 2016, colocando em funcionamento o Hospital da Região do Sertão Central e dando ordem de serviço para a construção do Hospital do Vale do Jaguaribe. Segundo ele, uma das apostas "ousadas" na área, neste ano, será "zerar as filas de cirurgia no Estado", a partir de convênios com hospitais privados. O projeto de lei tratando do assunto foi um dos últimos de autoria do Poder Executivo a serem aprovados pela Assembleia, em dezembro passado, antes do início do recesso parlamentar.

Ao falar sobre Segurança, que vem se mostrando o calcanhar de Aquiles de sua gestão - de acordo com dados do Governo do Estado, desde o dia primeiro de janeiro até o último dia 29, já foram registrados, pelo menos, 440 homicídios -, Camilo reconheceu que "temos um grave problema" e voltou a criticar a "inércia" do Governo Federal no combate à violência. O petista negou que queira jogar a culpa na União pela crise enfrentada no Ceará, muito menos por um partido que faz oposição ao seu estar no comando do Palácio do Planalto, mas ele cobrou um Plano Nacional de Segurança e mais verbas federais.

"Disse isso na frente do presidente (Michel Temer): estamos pagando um preço muito alto pela falta de um planejamento no Brasil. O País não tem um Plano de Segurança, não recebi um centavo para a Secretaria de Segurança Pública nesses três anos do governo. Desafio quem prove que recebi um centavo para a Segurança no meu Estado. Recebi, sim, recursos para o Fundo Penitenciário, mas precisei entrar na Justiça", reclamou.

O governador teve reunião com o presidente na última terça-feira (30), dois dias após a maior chacina da história do Ceará, em que 14 pessoas foram mortas em uma casa de forró no bairro Cajazeiras, em Fortaleza, na madrugada do último sábado (27). A ação teria sido ordenada por uma fação criminosa.

Efetivo policial

Camilo destacou que, no ano passado, foram formados quase 2.800 novos policiais militares no Ceará e outros 1.400 estão em treinamento. Quanto à Polícia investigativa, uma das principais queixas de seus opositores, o governador disse que 730 policiais civis foram convocados em 2017 e outros 660 estão em formação na Academia Estadual de Segurança Pública, o que, de acordo com ele, deve reforçar em 50% o efetivo da Polícia judiciária no Ceará. Além disso, o governador destacou a equiparação salarial dos policiais cearenses à média remuneratória do Nordeste e a aquisição de novas viaturas e equipamentos.

Sobre a cobrança por um Plano Estadual de Segurança Pública, o chefe do Executivo Estadual disse pela primeira vez, na Assembleia, que criou um para o Estado, "inédito no País". O documento é, segundo ele, composto por três volumes e foi elaborado em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Camilo disse que entregou o Plano a cada um dos parlamentares e ressaltou que o material está à disposição de qualquer cidadão no site do governo.

"O primeiro volume mostra as experiências que deram resultado no Brasil e fora do País. O segundo volume faz uma análise do problema no Ceará, e o terceiro mostra quais são nossas metas, com prazos determinados para fortalecer a Polícia Civil, a prevenção", explicou.

Investimento

Ao apresentar as ações na área, Camilo Santana sustentou que o Ceará é o Estado que mais investiu em Segurança Pública no País no ano passado e afirmou que está sempre aberto a ouvir sugestões, criticando os "oportunistas de plantão, que querem se aproveitar da desgraça ou torcer pelo quanto pior, melhor".

Ao contrário, o governador pregou que "o momento é para se unir", principalmente depois das duas chacinas ocorridas em um intervalo de menos de uma semana no Estado. Dois dias após a Chacina das Cajazeiras, uma rebelião na Cadeia Pública de Itapajé, fruto de confronto entre facções criminosas, terminou com dez detentos mortos e ao menos oito feridos.

"Não vamos alcançar isso (resultados) com a varinha mágica. Essa discussão deve ser séria, desapaixonada e, principalmente, longe do discurso oportunista e politiqueiro que não quer a solução dos problemas. Eu desafio um Estado que investiu mais em Segurança do que o Ceará, que foi buscar os melhores especialistas na área para discutir o assunto, porque é igual a time de futebol, todo mundo agora quer ser técnico", ironizou.

Seca

O governador também fez um balanço das suas ações na área de recursos hídricos, destacando a construção de quase 1.500 poços profundos somente em 2017, além de mencionar obras como o Cinturão das Águas, que deve receber as águas da Transposição do Rio São Francisco após a conclusão das obras do Eixo Norte, que inclui o Ceará.

O programa "Ceará de Ponta a Ponta", que visa revitalizar e duplicar rodovias no Estado, também ganhou ênfase no discurso de Camilo, juntamente com outras obras de infraestrutura, como a construção da Linha Sul do Metrô de Fortaleza e do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT). Isso só foi possível, segundo o governador, graças à capacidade de investimento do Estado, consolidada no ano passado. De acordo com o governo, o Ceará investiu 13,9% da Receita, sendo a maior proporção do País nesse quesito.



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