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Estudo realizado pela CNI apontou que 14 setores da indústria brasileira estão tecnologicamente defasados, incluindo o de vestuário e têxtil. (Foto: Reprodução)

Revolução digital deve cortar 50 mi de empregos.

Profissionais devem se atualizar e buscar capacitações para se adequarem à nova realidade do mercado.

05/02/2018


São Paulo. Um dos grandes temores globais em relação à quarta revolução industrial, também chamada de indústria 4.0, é com o futuro do emprego. Há estudos, como o da consultoria americana Mackinsey, que projetam perdas de mais de 50 milhões de empregos nos próximos anos. "É certo que haverá um impacto no mercado de trabalho, mas não acredito que vá resultar num contingente enorme de desempregados", diz João Emílio Gonçalves, gerente executivo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), para quem não há ainda dados suficientes para esse tipo de previsão.

Ele lembra que, nas revoluções anteriores, também houve especulações sobre a perda de empregos, mas o que ocorreu foi uma transformação das atividades. "Muitas desapareceram e foram substituídas por outras que exigem mais qualificação e menor esforço".

Diante do desafio de renovação profissional, a filial brasileira da Udacity - organização educacional de cursos online criada por empreendedores do Vale do Silício - oferece 23 cursos voltados à formação de mão de obra nas áreas de tecnologia de ponta. Entre os cursos oferecidos estão os de realidade virtual, robótica, desenvolvimento de tecnologias de drones e engenharia de carros autônomos. "Iniciamos operações em 2016 e hoje temos 10 mil alunos", informa Carlos Souza, diretor da Udacity para a América Latina.

Reciclagem

Ainda neste semestre, a Udacity vai iniciar cursos de finanças ligadas às criptomoedas e, mais adiante, de cibersegurança. O grupo também abrirá unidades em outros países da região, começando com México e Colômbia. Para Jaqueline Weigel, da consultoria W Futurismo, "a perda real ocorrerá para quem não se reciclar".

"Todas as profissões precisam se reciclar, se repaginar e a educação é o desafio global que está mais atrasado", afirma Jaqueline, para quem o governo e toda a sociedade precisam apoiar projetos nessas áreas. Ela também acredita que muitas indústrias vão desaparecer, mas outros tipos vão surgir.

Defasagem

Estudo inédito realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que, de 24 setores industriais brasileiros, mais da metade (14, incluindo o de vestuário e têxtil) está bastante atrasada em relação à adoção de tecnologias digitais.

O estudo constatou que esses setores correm riscos de se tornar tão ineficientes a ponto de serem excluídos da chamada quarta revolução industrial - que será baseada na digitalização e robotização das fábricas e dos processos produtivos para aumentar a eficiência. Os 14 setores que estão em situação vulnerável respondem por cerca de 40% da produção industrial e por 38,9% do Produto Interno Bruto (PIB) Industrial brasileiro, de acordo com o IBGE.

"Eles precisam de investimentos urgentes, pois não terão competitividade principalmente em relação aos países que competem diretamente com o Brasil", afirma João Emílio Gonçalves. "São setores com baixo grau de inovação, pouca inserção no comércio exterior e produtividade inferior à média internacional".

Ele ressalta que empresas desses setores terão "enorme" desafio de competitividade e o senso de urgência de atualização será dado pela própria concorrência. "A mudança tecnológica é grande e vai ocorrer muito mais rápido do que outras revoluções", diz. "A falta de competitividade pode levar os produtos dessas empresas a serem substituídos por importados".

Gonçalves pondera que, apesar do resultado preocupante do estudo, o Brasil ainda não tem um atraso "tão grave assim" em relação a outros países.



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