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Decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) foi anunciada na noite dessa quarta-feira. (Foto: Reprodução)

11º Corte: Taxa Selic recua para 6,75% ao ano; menor nível desde 1996.

A taxa básica de juros sofreu redução de 0,25 ponto percentual. Decisão era aguardada pelo mercado.

08/02/2018

Brasília. Os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiram, por unanimidade, reduzir a Selic (a taxa básica de juros) em 0,25 ponto percentual, de 7,00% para 6,75% ao ano. O corte, anunciado ontem (7) pela instituição, foi o 11º consecutivo. O movimento colocou a Selic no nível mais baixo da série histórica do Copom, iniciada em junho de 1996.

Com o corte de 0,25 ponto da Selic, o Banco Central deu continuidade ao processo de desaceleração do ritmo do atual ciclo monetário, como vinha sinalizando em suas comunicações.

A decisão dessa quarta-feira era largamente esperada pelos economistas do mercado financeiro. No comunicado que acompanhou a decisão, a instituição afirmou que a evolução do cenário básico, em linha com o esperado, e o estágio do ciclo de flexibilização tornaram adequada a redução da taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual.

Interrupção do ciclo

O Banco Central sinalizou ainda que, para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme esperado, o Copom deve interromper o ciclo de cortes na Selic. "Essa visão para a próxima reunião pode se alterar e levar a uma flexibilização monetária moderada adicional, caso haja mudanças na evolução do cenário básico e do balanço de riscos", ponderou o BC.

"O Copom ressalta que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação", completou o colegiado do Comitê de Política Monetária.

No documento, o BC também atualizou suas projeções para a inflação. No cenário de mercado - que utiliza expectativas para câmbio e juros do mercado financeiro -, o BC manteve sua projeção para o IPCA em 2018 e 2019, ambas em 4,2%. A autoridade monetária não divulgou projeção para a inflação de 2020.

Repercussão

Em nota, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) avaliou que o corte na taxa Selic deve ser o último do ciclo de queda da taxa de juros iniciada em agosto de 2016.

"A inflação continua baixa, nos menores níveis desde o início do plano Real. Por outro lado, a expectativa é de que o IPCA volte a se aproximar da meta chegando a 4% ao final deste ano, fato que somado à expectativa de que a recuperação econômica ganhe velocidade ao longo do ano fazem com que o espaço para novas quedas significativas fique cada vez menor", disse presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior.

Manutenção

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também comentou o corte e afirmou que a manutenção dos juros em patamar historicamente baixo depende do ajuste das contas públicas e da reforma da Previdência. A entidade aponta que, com a Selic a 6,75% ao ano, os juros reais recuaram para 2,5% ao ano. "A manutenção dos juros nesse patamar exige rigor com o ajuste fiscal", alerta o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, para quem "o equilíbrio permanente das contas públicas depende, sobretudo, da aprovação da reforma da Previdência"

A recente volatilidade no mercado externo e a perspectiva de elevação dos juros norte-americanos ao longo do ano, ressalta a CNI, são elementos que podem limitar novos cortes na Selic.

Opinião do especialista

Atividade econômica deve ter incentivo

A redução já era esperada, mas não deixa de ser uma boa notícia, chegando à 11ª redução consecutiva. O corte já traduz, também, uma inflação menor no País, abaixo da menta. O importante é tentar entender qual deverá ser o impacto dessa mudança anunciada pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom).

Se a redução da taxa Selic chegar aos outros setores, como as taxas de financiamento, nós teremos o incentivo da atividade econômica, com um aumento do consumo e do investimento no Brasil, mas pelo lado de quem pretende investir em condição de renda fixa, pode acabar percebendo um cenário menos atrativo. Os investidores podem acabar buscando mais investimentos de risco, como ações na Bolsa de Valores, visando ter mais rentabilidade.

Ricardo Eleutério
Coordenador do curso de Economia da Unifor.



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