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Presidente da República criticou, em entrevista a rádio, interferências na escolha de ministros. (Foto: AFP)

Contestando juiz: Temer reitera defesa à Cristiane.

10/02/2018

Porto Alegre/Brasília. Durante entrevista à uma rádio do Rio Grande do Sul na sexta-feira, o presidente Michel Temer criticou a interferência do judiciário na posse da deputada Cristiane Brasil, nomeada por ele como ministra do Trabalho e impedida de assumir o cargo após um juiz de primeira instância conceder uma liminar suspendendo a posse por conta de condenações sofridas pela parlamentar na Justiça do Trabalho.

Temer saiu em defesa da deputada e disse que sua posse não era uma questão de mérito, mas de princípio, e que ele até poderia cometer um "equívoco administrativo", mas que sua decisão não era "revisável por um juiz de primeiro grau".

"Essa questão da deputada Cristiane Brasil não é de uma questão de mérito, é de princípio. A Constituição estabelece que é competência privativa do presidente nomear os seus ministros. Então, quando eu vou nomear eu posso até cometer um erro administrativo ou político, o que não é o caso, porque a deputada é muito competente, muito determinada, trabalhadora e presta bons serviços. Mas eu posso eventualmente cometer um equívoco administrativo. Agora isso não é revisável, especialmente por um juiz de primeiro grau", disse o presidente. O presidente alegou preocupação com o precedente que a Justiça poderia abrir em casos de futuras nomeações de outros ministros, caso que pode acontecer em breve, com a expectativa de que muitos ministros deixem seus cargos para concorrer nas próximas eleições:

"Você acabou de dizer que eu vou substituir aí uns 12 ou 13 ministros. Imagine a cada ministro que eu nomear, o juiz lá de uma cidade do interior, por mais respeitável que seja, impede a nomeação. Eu acredito que a presidente do Supremo Tribunal Federal logo decidirá essa questão. Porque é uma questão de princípio e é por isso que nós estamos indo até o fim. Não foi bom porque parece que eu cometi um equívoco jurídico, o que não verdadeiro", afirmou Temer.

Perguntado pelo apresentador se Temer seria candidato, o presidente foi evasivo:

"Eu no momento sou candidato a passar na história como alguém que pegou o país e conseguiu fazer as reformas necessárias. Minha candidatura por enquanto é essa", concluiu Michel Temer, durante a entrevista concedida à Rádio Guaíba, do Rio Grande do Sul.