Carregando...

Publicidade

O diretor-geral da instituição gerou críticas ao insinuar o arquivamento de inquérito contra Michel Temer. (Foto: ABR)

Fernando Segovia acumula polêmicas em gestão à frente da PF.

14/02/2018

Brasília. Em menos de três meses no cargo, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Fernando Segovia, vem colecionando polêmicas. Antes mesmo de assumir o posto, sua indicação já era motivo de controvérsia. Tudo isso em razão de políticos apontados como padrinhos da indicação: o ministro Eliseu Padilha e o ex-presidente José Sarney. Os caciques do MDB são alguns dos alvos proeminentes da Lava-Jato.

Em 20 de novembro, quando assumiu o cargo em substituição ao seu antecessor, Leandro Daiello, Segovia pôs em dúvida as conclusões da Procuradoria-Geral da República (PGR) nas investigações envolvendo a delação da JBS, em que se apontou o pagamento de propina ao presidente Michel Temer.

"Talvez uma única mala não desse toda a materialidade para apontar se houve ou não crime, e quais são os partícipes. Isso poderia ter sido respondido se a investigação tivesse mais tempo. E quem colocou esse deadline foi o Ministério Público Federal. E também seria esclarecido por que Joesley (Batista, dono da JBS) sabia quando iria acontecer (a divulgação da delação) para ganhar milhões no mercado de capitais", disse Segovia em entrevista após a cerimônia de posse, fazendo referência à mala com R$ 500 mil entregue pela JBS a Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor de Temer. Segovia chegou ao cargo mesmo sem contar com o apoio do ministro da Justiça, Torquato Jardim, seu superior hierárquico.

Desde que assumiu, deu mostras de que não precisa do chefe imediato. Ele se encontrou com Temer pelo menos duas vezes, sem a participação de Jardim. As reuniões não constavam da agenda presidencial.

A conversa do dia 15 de janeiro ocorreu na mesma semana em que Temer precisava responder perguntas feitas pela PF no inquérito que apura supostas irregularidades na mudança de regras do setor portuário. Na época, assessores do Palácio do Planalto disseram que Segovia foi apresentar a Temer proposta de um novo plano de segurança pública nacional.

Entrevista contestada

Na última sexta-feira (9), Segovia disse em entrevista a uma agência de notícias que não há provas contra Temer no inquérito que apura suposto pagamento de propina a empresas do setor portuário, insinuando um possível arquivamento. A entrevista provocou a reação de policiais federais, parlamentares e do próprio ministro Luís Roberto Barroso, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), que cobrou explicações.

As declarações dele também contradizem o mais recente relatório do inquérito sobre supostas irregularidades cometidas por Temer na edição do Decreto dos Portos.



Total de acessos: 235041

Visitantes online: 10