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Documento do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central também afirma que a recuperação da economia brasileira mostra "maior consistência". (Foto: Reprodução)

Copom não bate martelo para fim de corte de juro.

A possibilidade de promover um corte adicional, de 0,25 ponto percentual, foi mantida, mas com peso menor.

16/02/2018

Brasília. Após ter reduzido de 7% para 6,75% ao ano a taxa básica de juros da economia (Selic), o Banco Central (BC) reafirmou a intenção de, em março, não alterar a taxa. A ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, publicada nessa quinta-feira (15), indicou que a manutenção da taxa no atual patamar é a possibilidade mais provável. Mas, entre os dirigentes da instituição houve divergência sobre como comunicar os próximos passos em relação aos juros.

Formado pelo presidente do BC, Ilan Goldfajn, e pelos oito diretores do banco, o Copom reduziu na semana passada a Selic pela 11ª vez consecutiva, para o menor patamar da história. A ata de ontem mostrou que, durante as discussões, alguns integrantes do comitê queriam indicar que, no encontro de março, o Copom pode manter a Selic em 6,75% ou promover um corte adicional, para 6,50% ao ano. A ideia era comunicar que nenhuma das hipóteses teria mais chances de ocorrer que a outra.

Esta não foi, no entanto, a proposta vencedora. Tudo porque, conforme a ata, outros dirigentes do BC defenderam que a instituição apontasse "fortemente" a possível interrupção do ciclo de cortes da Selic. A possibilidade de promover um corte adicional, de 0,25 ponto percentual, foi mantida, mas com peso menor. E foi isso o que o Copom acabou indicando na ata.

Inflação

Na visão dos economistas, apenas se a inflação continuar apresentando taxas muito baixas e se a Reforma da Previdência passar no Congresso o BC pode, de fato, promover novo corte da Selic em março. "Mais um corte está vinculado a um andamento da reforma da Previdência. Porém, isso ninguém espera que vá acontecer neste mês", avaliou o economista Alexandre Espírito Santo, da Órama Investimentos.

O exterior também recebeu atenção. Na ata dessa quinta, o BC registrou que "já surgem sinais de que as condições no mercado de trabalho começam a elevar os salários em algumas economias centrais". Na visão do BC, isso pode aumentar a inflação em países como os Estados Unidos e, em consequência, fazer os juros subirem mais rapidamente lá fora.

Recuperação da economia

Os membros do Copom afirmaram, na ata, que a recuperação da economia brasileira "apresenta maior consistência". "Nesse contexto, entendem que, à medida que a atividade econômica se recupera, a inflação tende a voltar para a meta".

Essa avaliação mostra, na prática, maior confiança do BC em relação ao atual estágio do crescimento da economia. Isso porque, na ata do encontro anterior, ocorrido em dezembro, o Copom seguia avaliando que a economia seguia em "trajetória de recuperação gradual".

No documento divulgado ontem, o termo "gradual" não é mais usado para qualificar a recuperação da economia e, em contrapartida, o colegiado passou a ver um crescimento com "maior consistência". O Banco Central também reiterou "a visão de que, em decorrência dos níveis atuais de ociosidade na economia, revisões marginais na intensidade da recuperação não levariam a revisões materiais na trajetória esperada para a inflação".



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