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(Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

Cinturão foi base de expansão para teles cearenses.

Depois de aplicar 1,5 mi no leilão de concessão da fibra, as teles cearenses investiram cerca de R$ 36 mi.

17/02/2018

Após investir R$ 1,5 milhão para poder administrar a fibra do Cinturão Digital, o consórcio formado por Brisanet, Wirelink e Mob Telecom aplicou cerca de R$ 36 milhões na ampliação e reforço do backbone (principal rede de dados) do Estado para deixar a rede mais robusta e, assim, ampliar as conexões de novos provedores e deles próprios, que passaram a ampliar a atuação pelo Nordeste.

"Depois do leilão, nós da Mob aplicamos cerca de R$ 15 milhões e acreditamos que 2018 a nossa expansão deve ser bem mais relevante que no último ano. Hoje, nós chegamos em vários estados por conta do Cinturão Digital, como Salgueiro (PE). A rede ajuda a gente expandir cada vez mais. Estamos em todo o Nordeste, menos Alagoas, além de Belém, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo (apenas atacado), e estamos indo ao Amapá", ressalta o CEO da Mob Telecom, Salim Bayde Neto, afirmando que a expansão do negócio é constante em três frentes: corporativo, terceirização da fibra e o varejo de internet.


A partir da fibra montada pelo Estado, empresas do consórcio expandiram seus backbones. (Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)

O Cinturão Digital, segundo explicou o diretor de Operação de Projetos da Wirelink, Felipe Abelha, ajudou as empresas a chegarem nas principais cidades do Interior cearense, mas a expansão para regiões mais carentes coube ao consórcio. "Hoje, das cidades cearenses, é mais fácil dizer qual não é atendida. Acredito que a cobertura seja de 80%, e a nossa rede própria é bem maior, e o Cinturão que motivou isso, apesar de ser um crescimento que vinha implementando desde sempre", estima, informando que o investimento da Wirelink na fibra cearense foi de R$ 14 milhões, o que a ajudou na atuação em todo Nordeste, exceto Alagoas e Sergipe, trabalhando com o mercado corporativo.

Por fim, José Roberto Nogueira, presidente da Brisanet, contabiliza investimento de R$ 7 milhões no Cinturão Digital, que o fez expandir mais a atuação para o Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, centrado no atendimento ao usuário residencial de internet e também em links para pequenos provedores.

Competição

Em paralelo aos trabalhos conjuntos de expansão do Cinturão Digital, cada uma das três empresas que administram a malha de fibra afirmam ter, em reservado, os planos próprios para aumentar a rede e chegar a maior fatia do mercado local de telecomunicações. A Mob Telecom revela ter uma lista de cerca de 20 cidades cearenses para onde deve expandir ações dentro das três frentes que atua, enquanto a Brisanet fala em cerca de 15 novos municípios. Já a Wirelink sequer revela a quantidade de locais mapeados onde o mercado corporativo deve ser mais interessante para a empresa.

"Quando chega infraestrutura de fibra ótica em uma cidade, o dono dessa rede vai ter maior market share, pois a adesão é em disparado. Chegou fibra, outras tecnologias como ADSL (linha telefônica), rádio ou cabo perdem imediatamente", explica o presidente da Brisanet, o que explica tanto sigilo das empresas.

E a competição parece ter logrado sucesso para o Estado, visto o crescimento de 32% das conexões de banda larga fixa nos últimos quatro anos. No entanto, a parte sem cobertura continua relevante. A densidade do Ceará por 100 domicílios chega a 25,40, enquanto Sergipe (25,64), Paraíba (26,71) e Rio Grande do Norte (30,51) alcançam dígitos mais elevados.

Entraves

Quanto aos gargalos, todas as três empresas concordam que o peso dos impostos no Ceará ainda entrava o desenvolvimento das telecomunicações. "Aqui no Ceará e no Brasil, a gente tem um bom serviço, o Cinturão Digital foi fundamental para essa melhora, mas essa utilização de infraestrutura do posteamento e a tributação são os principais entraves. ICMS para telecom é de 30%, no Ceará, com PIS/Cofins, que chega a uma carga tributária que é de até 60%. É um modelo que não faz sentido", lamenta Felipe Abelha sobre a cobrança mais cara para o uso dos postes de energia pelos provedores e também da carga tributária incidente sobre eles.

Sobre o papel da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice), todos concordam que o desenvolvimento do modelo de concessão da fibra e os trabalhos conjuntos do Estado funcionam bem. No entanto, defendem o reforço nos investimentos públicos para tornar a rede mais robusta e facilitar o acesso a áreas mais remotas, seja diretamente pelo Cinturão ou via pequenos provedores.

Opinião do especialista

Financiamento é o principal gargalo

O setor de telecomunicações no Brasil ou qualquer lugar do mundo tem o desafio de ampliar a infraestrutura e, para isso, tem a necessidade de capital intensivo. Temos feito muitas redes de acesso a cidades e isso demanda muito capital. A pouco tempo, vi a TIM tomar R$ 1,5 bilhão com o BNDES. Ora, a gente, os pequenos provedores, não tem acesso a financiamentos a longo prazo.

Então, faz um tempo que uma das principais bandeiras da Abrint foi interagir com bancos regionais. No nosso caso, do Nordeste, tivemos uma interação que dura mais de dois anos com o Banco do Nordeste, pois possui todas as condições de nos apoiar, administrando o FNE (Fundo Constitucional de Desenvolvimento do Nordeste), mas ainda é um banco conservador. Isso porque ainda não aceita nenhuma garantia dos nossos investimentos e isso tem dificultado muito a nossa atuação. Mas acreditamos que deva se tornar um grande parceiro.

Outro desafio do setor, em todo País, é a utilização das redes de postes. Inevitavelmente, como estamos falando de fibra ótica, passar a estrutura de fibra em redes aéreas representa um quinto do valor do subterrâneo. Então, num País com carência de redes de telecomunicações e com muita limitação financeira, a tendência é fazer pela rede elétrica. Mas temos tido muita dificuldade por conta das concessionárias de energia, que demoram para aprovar os projetos e cobram mais caro para os pequenos provedores.

O ideal para superarmos essa dificuldade é que tenhamos condição de igualdade em relação ao uso dos postes. Para isso, acredito que precisamos de um diálogo mais facilitado com as concessionárias.

Erich Rodrigues
Vice-presidente do Conselho da Abrint



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