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Mesmo após o decreto de Michel Temer para reduzir a violência no Rio de Janeiro, detentos tentam fugir de cadeia de Japeri e acabam se rebelando. (Foto: Ag. Globo)

Reféns em penitenciária: Crime desafia decreto e promove rebelião no RJ.

Governo fluminense põe sistema prisional sob alerta, mas detentos iniciaram um motim após tentativa de fuga.

19/02/2018

Rio de Janeiro. Dois dias após o decreto do presidente Michel Temer com a intervenção federal na área de Segurança Pública no Rio de Janeiro, detentos da Penitenciária Milton Dias Moreira, em Japeri, na Baixada Fluminense, iniciariam, ontem, uma rebelião, com reféns. Ao longo do dia, o sistema prisional fluminense ficou em alerta.

A rebelião começou após inspetores frustrarem à tarde uma tentativa de fuga.

Antes de estourar a rebelião, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) havia explicado que “medidas de controle” haviam sido antecipadas “na intenção de evitar qualquer reação da população carcerária” à intervenção.

O secretário de Administração Penitenciária, David Anthony Gonçalves Alves, assumiu a pasta em 24 de janeiro, após a exoneração do coronel Erir Ribeiro, acusado de conceder regalias ao ex-governador Rio Sergio Cabral, preso em Benfica.

A intervenção no Rio abrange o sistema prisional, mas, ontem, o Comando Militar do Leste informou que as Forças Armadas só começarão suas ações após o decreto do presidente Michel Temer ser aprovado no Congresso, algo previsto para hoje.

‘É natural’

O ministro da Justiça, Torquato Jardim, afirmou, na noite de ontem, que a rebelião em Japeri foi uma tentativa de fuga. “Os dois presos que tentaram fugir já estão presos, os dois agentes penitenciários que foram feitos reféns já foram liberados, o Bope já ocupou. Agora é a parte final, negociando os termos da rendição”, afirmou.

Torquato não descartou que novas rebeliões possam acontecer no Rio, como resultado da intervenção no Estado, mas disse que os agentes de segurança estão preparadas. “Haverá tentativas, certamente haverá tentativas, mas nós, acredito eu, estamos preparados”, afirmou.

O ministro disse ainda que “era previsto” que alguns presídios pudessem ter reações ao decreto de intervenção na segurança do Rio. “Já era previsto, tanto é que os presídios federais estão com alerta máximo”, afirmou. O alerta deverá se estender para as cadeias estaduais. Segundo Torquato, “é natural que haja um desafio no primeiro momento”, sobre a intervenção. “É natural que o crime organizado teste a capacidade de operação das forças federais”.


(Foto: Reprodução)

Sem tropas

Ao longo do dia, tropas das Forças Armadas não foram vistas fazendo patrulha nas ruas. O policiamento regular, porém, parecia mais reforçado do que no período do carnaval. Segundo a assessoria de imprensa da PM, o policiamento do fim de semana teve 5.757 agentes como reforço. A operação já estaria prevista por causa dos desfiles de blocos.

De acordo com o aplicativo Onde Tem Tiroteio (OTT), que se dedica a fazer um mapeamento das trocas de tiro na região metropolitana do Rio, as ocorrências se mantiveram ontem em nível parecido com os dos últimos fins de semana.

Até ontem, 21 tiroteios foram mapeados pelo OTT no fim de semana. Além disso, foram registrados sete arrastões. Segundo o OTT, o primeiro fim de semana do mês foi o mais violento, com 23 tiroteios. Na semana passada, em meio ao carnaval, foram 18 casos. Nos dois primeiros fins de semana houve quatro arrastões cada um.

Tiroteio

Três pessoas morreram e quatro ficaram feridas em um tiroteio em Bangu, na zona oeste do Rio, na manhã de ontem. Uma das vítimas era sargento da Polícia Militar e estava de folga.

Segundo testemunhas, criminosos anunciaram um assalto em um bar da região, quando começou o confronto. Quando a polícia chegou, havia dois mortos e cinco feridos, entre eles o sargento Cristiano Souza.

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios. Até o momento, foi o pior incidente de violência no primeiro fim de semana após o anúncio da intervenção no Rio.

No sábado, bandidos explodiram uma agência bancária em São João do Meriti, na Baixada Fluminense. Ninguém foi preso.


Presidente Michel Temer realizou, ontem, uma reunião de trabalho sobre seus planos para a segurança pública, após o decreto baixado na última sexta. (Foto: PR)


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