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Com acesso pelas rodovias que percorrem o entorno do Rio Cocó, grupos de amigos e famílias aproveitaram a cheia da barragem para tomar banho e pescar. (Foto: Cid Barbosa)

Efeito das últimas chuvas: Barragem do Cocó atinge 85,72% da sua capacidade.

Famílias e grupos de amigos aproveitaram a cheia do rio para pescar e tomar banho no equipamento

19/02/2018

As precipitações do fim de semana atingiram pelo menos 100 municípios cearenses, segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Em Fortaleza, o volume das chuvas atingiu 75mm no posto da Fundação Maria Nilva Alves, no bairro Água Fria, o que representa a maior chuva deste ano na Capital, até o momento. Conforme relatório de aporte de água da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), a barragem do Cocó atingiu 85,72% no último sábado (17).

A barragem tem capacidade máxima de armazenamento de quase 6 milhões e meio de m³ e contém o excedente de água no período mais intenso da quadra chuvosa na Capital. Ela evita alagamento em bairros vulneráveis ao longo do rio. A intervenção custou R$ 105 milhões.

A intervenção também está integrada na poligonal de 1.571 hectares do Parque do Cocó, regulamentada no ano passado, e contemplou a dragagem e o saneamento do Rio Cocó, além da urbanização do trecho que vai da BR-116 à Av. Paulino Rocha.



Pesca

Nas rodovias que percorrem o entorno do Rio Cocó, grupos de amigos e famílias aproveitaram a cheia da barragem para tomar banho e pescar. Nesse domingo, cerca de 30 carros lotaram os acostamentos das vias vizinhas ao rio. O povo da Capital mais aparentava a população do Interior com a chegada das chuvas.

Cará, piau, curimatã e piaba são encontrados em abundância em diversas áreas da barragem. O comerciante Paulo Sousa, 40, acordou cedo e saiu do bairro Mondubim com os filhos. "Tem muito peixe. A água é limpa. Eu combinei com minha esposa na sexta-feira mesmo. Eu soube que ia chover pela televisão e sabia que a barragem ia encher". Com churrasqueiras artesanais e boas, famílias inteiras ocuparam as margens da barragem do Cocó sem dificuldades.

O confeiteiro Willy Araújo, 32, foi com amigos e chegou até a cozinhar na beira da barragem. "Usamos garrafas e tarrafas para pescar. Não é difícil. Usamos lenha e um pouco de óleo para fritar", conta. Araújo acredita que a água da barragem é limpa. "A gente consegue nadar fácil. A água que cai do rio na barragem é clara", explica.

A Cogerh ainda registrou aportes em 49 açudes, destacando-se os reservatórios de Angicos, Arneiroz II, Jaburu I, Orós e Taquara. As últimas precipitações permitiram que o açude João Luís deixasse o volume morto. Foram registradas chuvas em 111 postos pluviométricos monitorados pela Funceme, destacando-se chuvas superiores a 54 mm, acumuladas em 24 horas em Porteiras (93mm), Camocim (88mm) e Caririaçu (80mm).

Para esta segunda-feira (19), a Funceme tem previsão de nebulosidade variável com eventos de chuva em todas as regiões do Estado. As precipitações estão ligadas à atuação, no setor norte do Nordeste, da Zona de Convergência Intertropical (ZCI), a banda de nuvens que circunda a faixa equatorial do globo terrestre, formada principalmente pela confluência dos ventos alísios do hemisfério norte com os ventos alísios do hemisfério sul.

Estudo

Apesar do cenário crítico em que se encontram os reservatórios estaduais, ainda deve demorar a retirada das águas da barragem do Rio Cocó para abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), segundo hipótese levantada pelo governador Camilo Santana.

A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) afirma que os estudos para essa viabilização somente serão iniciados após o resultado da qualidade da água, não especificando data: "A Cagece informa que está sendo avaliada a qualidade da água disponível no local para consumo humano. A Cagece informa, ainda, que a qualidade da água é o primeiro fator a ser levado em consideração para iniciar um estudo desse tipo. Somente após essa avaliação é que será possível apontar a viabilidade e outros detalhes do projeto".

A medida integra as ações na tentativa de evitar o colapso hídrico na Capital. A barragem, inaugurada pelo governo do Estado em junho de 2017, tem como função reter o excedente de água nos períodos chuvosos, promovendo o controle da vazão do Rio. A medida tem como objetivo evitar alagamentos nas 14 áreas consideradas mais vulneráveis em Fortaleza.


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