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Empresa investiu US$ 300 mi no cabo Sacs, o primeiro pelo Atlântico Sul. (Foto: Yago Albuquerque)

Cabo já liga Ceará à África; Pecém pode ter ramificação de data center.

Angola Cables assinou, ontem, memorando de entendimento para viabilizar ligação do data center ao Cipp.

22/02/2018

Previsto para entrar em operação no fim do primeiro semestre, o data center da Angola Cables, em Fortaleza, pode ter uma ramificação para atender às demandas das indústrias que se instalarem no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp). Ontem (21) , a empresa assinou um memorando de entendimento com o Estado para viabilizar a infraestrutura que interligará o data center ao Pecém.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento do Estado, Cesar Ribeiro, a ideia é que seja criada uma infraestrutura física da Angola Cables no Cipp para que o complexo também usufrua da interconectividade. "Queremos criar uma ambiência para que as indústrias tenham condição de gerenciar todos esses dados. São empresas de fora, que precisam de um grau de armazenamento sofisticado, de uma linha de transmissão sofisticada", aponta.

De acordo com a Angola Cables, entretanto, o projeto ainda tem um caráter embrionário, sem perspectivas de valores de investimento ou prazo. A empresa continuará conversando com o governo do Estado a respeito, mas ainda deve realizar um estudo para verificar a viabilidade de construção de uma versão menor do data center para atender às indústrias da região.


Governador do Estado, Camilo Santana, participou da solenidade que marcou a chegada do cabo de fibra ótica Sacs à Praia do Futuro, em Fortaleza, onde está sendo construído o data center da Angola Cables. (Foto: Carlos Gibaja)

Sacs

A solenidade marcou a chegada, ontem, do South Atlantic Cable System (Sacs) à Fortaleza. De acordo com o CEO da multinacional, António Nunes, o investimento representa uma inovação na configuração das redes mundiais. "Todas as transmissões mundiais eram feitas do Atlântico Norte. Este é o primeiro a ligar pelo Atlântico Sul", destaca o executivo. Ao todo, a empresa investiu US$ 300 milhões de dólares nos empreendimentos.

Com o Sacs, a troca de dados intercontinentais passará a ser mais rápida, levando cinco vezes menos o tempo atual para que o continente africano tenha acesso aos conteúdos produzidos nas Américas.

Décimo cabo submarino a chegar a Fortaleza, o Sacs é também o 16º ponto de conexão da Capital, uma vez que há cabos que interligam vários pontos. No momento, são negociadas a implantação de outros dois: o Cabo South American Inter Link (SAIL), com chinesa Huawei e a camaronesa Camtel, de Fortaleza à Kribi, no Camarões; e um de Fortaleza a Lisboa, em Portugal, pela empresa Telebras.

O Sacs será conectado ao data center da empresa, que está sendo construído na Praia do Futuro e segue com mais de 50% de execução - ambos têm perspectiva de iniciar as operações até junho ou julho.

Segundo Rafael Pistone, CEO da Angola Cables no Brasil, quase 70% da capacidade do centro já foi comercializada e a empresa já cogita engatar a segunda fase do projeto, o que não havia sido previsto.

O projeto do data center tem quatro fases, podendo vir a receber cabos de outras empresas. "Fala-se que os dados são o petróleo do futuro, e são. Vivemos o momento do 'big data', da Internet das Coisas, mas isso tudo gira em torno de um processamento e armazenamento; e o data center tem um papel fundamental. A estrutura que se debruça faz de Fortaleza um potencial hub de telecomunicações e processamento de dados mundial".

Empregos

Com o data center, devem ser atraídas empresas que prestam serviços e também provedores de internet, cuja expectativa é a geração de cerca de 800 empregos diretos e indiretos até 2030, segundo Mosiah Torgan, secretário de Desenvolvimento Econômico de Fortaleza. "O data center só deve gerar de 20 a 30, mas a previsão é que as oportunidades continuem a crescer com a atração de mais empresas".

Já há uma empresa local interessada em implantar um data center na Praia do Futuro, dentro do Programa de Apoio a Parques Tecnológicos e Criativos de Fortaleza (Parqfor). "Uma empresa recebeu autorização para entrar no programa no ano passado, mas não está operando ainda, está em implantação. A previsão é que comece neste ano", informa Paulo Barbosa, coordenador de projetos da pasta.

A área de incentivos foi ampliada. Antes restrita à Praia do Futuro, a zona inclui também terrenos próximos ao Porto do Mucuripe. Lá, empresas que desenvolvam atividades de base tecnológica podem ter isenção de IPTU, ITBI e redução da alíquota de ISS de 5% para 2%.

"Quando o data center começar a operar, as empresas vão procurar se instalar também. A Angola Cables é nosso ponto de partida, nosso plano é desenvolver e aproveitar ao máximo esse potencial", aponta Barbosa.

Trinca de hubs

Após conferir a chegada do Sacs, o governador Camilo Santana destacou que a Capital se fortalece como hub de telecomunicações e o Ceará como ponto estratégico, assim como na aviação e no portuário. "Com essa conexão, queremos trazer empresas mundiais para o Ceará, em parceria com a Angola Cables, como a Microsoft, Amazon e Google. Vamos ser um grande centro de oportunidades", ressaltou.

Opinião

Geração de oportunidades para Fortaleza

Dentro do programa Fortaleza Competitiva, nossa ideia principal é gerar mais oportunidades para a Capital. A chegada de mais esse cabo submarino à Capital representa um atrativo muito grande para a empresa, o que vai trazer mais oportunidades de trabalho também.

Buscamos atrair empresas com o Programa de Apoio a Parques Tecnológicos e Criativos de Fortaleza (Parqfor), com incentivos fiscais para as empresas da área de tecnologia. Essa área, inclusive, foi expandida para além da Praia do Futuro, pegando também uma área de tancagem e do Cais do Porto do Mucuripe.

A ideia é que sejamos um polo de data centers e estamos dando facilidades para isso, porque temos mão de obra, boas universidades e estudantes que, muitas vezes, vão buscar em outros locais oportunidades de trabalho que podemos gerar aqui.

Mosiah Torgan
Secretário do Des. Econômico de Fortaleza


(Foto: Reprodução/Diário do Nordeste)


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